The Dead Thing Nuno Reis, 14 de Janeiro de 202614 de Janeiro de 2026 Este filme pode ser classificado como sendo sobre relações, mas daí até alguém achar que devia estrear a 14 de Fevereiro vai uma longa distância. No entanto, foi essa a data escolhida para o seu lançamento em streaming no ano passado. O dia em que os filmes devem ser todos sobre pessoas felizes a encontrarem o amor da sua vida e a ficarem juntos para sempre. “The Dead Thing” cumpre parte dos requisitos e podemos ser irónicos quanto ao resto. Alex é uma jovem que procura relações casuais. Com uma app encontra rapazes bem-parecidos, trocam dois dedos de conversa, e passam à parte física para logo seguirem caminhos diferentes. Noite após noite o mesmo ritual. Até que encontra Kyle que além da parte física, tem um lado emocional muito apelativo. Alex parece ter encontrado o que não procurava. Só que há um pequeno detalhe sobre ele. Diz-se que o homem perfeito não existe e, no caso dele, isso pode ser mesmo verdade. Esta ideia chega-nos pela dupla Webb Wilcoxen e Elric Kane. Enquanto Wilcoxen tem uma curta carreira que inclui terror e documentário – detalhe importante daqui a pouco – Kane Kane, que também dirigiu, é mais fiel ao horror. Até trabalhou em duas séries em que se fala exclusivamente de terror. Portanto, de um lado temos um amante do terror, do outro alguém que sabe observar e encontrar a mensagem a passar. E no entanto, o que temos aqui foi erradamente classificado como terror. É um thriller. Mas percebe-se o documental. A imagem que passa de Alex não é com uma posição a favor ou contra. Relata o que ela faz e o espectador que forme uma opinião. Decisão inteligente visto que é um estilo de vida que tem vindo a ganhar adeptos e não se podia estar a dizer que é um perigo sem o fundamentar. Alex vai tendo o que quer. Os dias dela parecem vazios e sem sentido e quando percebemos o motivo faz sentido. Tem um trabalho nocturno o que a afasta das pessoas normais e a empurra para essas relações instantâneas. Nem com a amiga com quem divide casa convive. Nunca parece estar a perder o controlo do tempo (como vimos em ), mas tem uma existência triste. Essa amiga é uma história secundária de algum interesse por tentar ser o oposto. Kara tinha uma relação e ia casar, mas isso acabou. Agora está sozinha e infeliz. Blue Hunt como a protagonista entrega o que era pedido. Não tem muito material com o que trabalhar, mas em todos os registos convence. Já a sua compannheira de elenco Katherine Hughes que chegava com muito mais currículo tem uma prestação francamente má. O pior papel em que a vi. Como Kyle temos Ben Smith-Petersen, um duplo que vai sendo actor quando pode. E nem com essas credenciais o filme estava disposto a dar-nos algo que se veja. Tudo o que podia ser terror fica-se pela sugestão. Quase tudo acontece fora do plano. Então numa cena em que a câmara está presente, mas não nos dá o gosto de se mexer para vermos como uma personagem desaparece… A produção fica mais em conta, mas podia ter dado algo. Foi uma história construída com conteúdo e alguma estrutura, mas que se esqueceu do fundamental. Percebemos as personagens e podemos ignorar as várias pontas soltas. Afeiçoamo-nos a Alex mais por quem é no trabalho do que pelo que faz fora dele. E depois disso tudo, vamos esquecer imediatamente. Filmes Filmes 2025 caso amorosoencontroNuno Reissono