The Home Nuno Reis, 20 de Setembro de 202524 de Outubro de 2025 Frequentemente os festivais de género deixam os filmes mais comerciais ou para as sessões a que as pessoas ditas normais aparecem. No terror isso é quase obrigatório. Um bom filme de terror é muito apreciado pelos fãs, mas não funciona com os patrocinadores e entidades que aparecem apenas para as fotografias nas galas e querem algo mais “suave”. Este ano o MOTELx seguiu essa regra para a abertura com “The Long Walk“, mas esqueceu-a convenientemente para o encerramento. Aliás, “The Home”, foi das produções mais perturbadoras que vi na edição deste ano. A história começa logo com o enquadramento necessário. Max em pequeno vivia numa família de acolhimento e era um artista promissor. Mas após uma perda, começa uma espiral de auto-destruição. Em adulto a sua arte é classificada como vandalismo e, como alternativa à prisão, vai fazer serviço comunitário a limpar uma residência sénior. Nesse centro vai conhecer vários idosos, e vai começar a suspeitar de algumas coisas estranhas que se estão a passar. Para quem não reconhecer o nome, James DeMonaco é o argumentista/realizador da trilogia original (agora são bem mais) “The Purge“. Ele sabe bem como encontrar os podres do ser humano e expô-los de forma bem gráfica. Neste cenário isso é fácil. Norma e Lou parecem uns velhotes alegres e activos, mas no geral estamos perante o terror da terceira idade. Abandono pela família, doenças constantes, fragilidade física, demência, e a inevitável presença do Anjo da Morte. Tudo é assustador. Como se isso não bastasse, neste lar ainda se juntam vultos nocturnos, alucinações em que os moradores se portam como zombies e muito gore. Temos o pacote completo. Pete Davidson, que é principalmente conhecido pelo humor e pelas namoradas, no arranque do filme está bem enquadrado na personagem. Contudo, é quando a situação começa a fugir ao controlo de Max que o talento do actor se revela. E é nas coisas simples. Ele tem de parecer tranquilo para os colegas, tem de ser agradável para os utentes, e tem momentos em que está em pânico em privado. O filme entra num ciclo ininterrupto de dia e noite em que ele tem duas vidas e rapidamente doseia o choque visual – em excesso no início – para quase se limitar a usar a banda sonora como elemento de tensão. É difícil precisar quando as coisas acontecem pois, como espectadores, perdemos a noção do tempo. Apesar de só ter 95 minutos, parece mais longo. Quando o problema escala, o filme muda de ritmo. Toda a trama é revirada e sabemos que uma pessoa solitária não tem muito a fazer. E então é que vem a verdadeira parte chocante. É daqueles filmes que marca pelo que conta e por como conta, Assenta em interpretações incríveis e sem distrações acessórias apesar das reviravoltas na narrativa. No final há algum exagero metereológico, mas perdoa-se. E claro, tem todo o terror que precisam para não dormir em condições durante uns dias. Filmes Filmes 2025 Lar de idososMOTELx 2025Nuno Reisseitas