The Long Walk Nuno Reis, 21 de Setembro de 202526 de Outubro de 2025 Quando as editoras lançam literatura infanto-juvenil passada em sociedades distópicas num futuro próximo, o cinema faz adaptações quase instantâneas. “Hunger Games”, “Divergent”, “Maze Runner”… não falta variedade. Esta obra de Stephen King, apesar de vinda dos anos 70, é assustadoramente credível no nosso presente. Neste futuro, os Estados Unidos são uma ditadura muito debilitada pela guerra. O que fazem para fortalecer a moral patriótica – numa variação retorcida do “America First” – é uma pequena competição entre estados. Cada um envia um adolescente, escolhido por lotaria, para uma caminhada onde só pode haver um vencedor. O único detalhe é que não ganha o primeiro a chegar ao fim. Ganha quem aguentar caminhar a pelo menos 4,8 km/h até todos os outros estarem mortos… O primeiro detalhe a destacar é que o elenco é essencialmente de desconhecidos. Apostaram em actores com a idade adequada, sem ligar ao currículo. Claro que compensaram com secundários de renome (Judy Greer e Mark Hamill), mas a participação deles é mínima e nem o marketing ligou a isso. O foco estava todo em Francis Lawrence que tem como título maior da carreira “I Am Legend” e as três sequelas dos Hunger Games. Sabe tudo sobre trazer o apocalipse até nós, como fazer algo ainda pior com ele, e como renascer das cinzas. Este filme tem um formato bem estranho porque, tal como a caminhada, não tem momentos empolgantes espalhados pela duração. É uma monotonia stressante e auto-controlo. É ver pessoas que acompanhamos durante uma hora e pessoas que nem sabiamos que existiam a morrer de cansaço ou simplesmente por enlouquecerem. Tudo faz pensar na resiliência humana. Dá tempo para pensar no que se passa no resto do país enquanto estes atletas se matam em busca de um escape da vida normal. E ainda sobra tempo para ficarmos chocados com a crueldade da prova que chega a distâncias inacreditáveis. É um filme que parece simples e barato de executar depois de ter a história certa, mas essa aparente simplicidade significa que depende completamente das interpretações que não podem perder o espectador ao longo de uma caminhada que deixaria Forrest Gump orgulhoso. Durante o processo, só podemos e só queremos ser surpreendidos pelas características individuais destas personagens. É uma hora e meia a ver close ups de rostos com emoções bem reais. A nível de interpretações David Jonsson é o regular mais convincente, mas Charlie Plummer tem uma cena tão boa que faz pensar que foi desperdiçado. E so diálogos que começam corriqueiros, ao fim das primeiras directas começam a ter pensamentos O momento final não tem o impacto que se imaginaria e isso desilude. No final, sobram as mesmas questões de tantos outros filmes. “Porquê? Será possível chegarmos a isto?” Com base nas notícias a resposta é sim, cada vez estamos mais perto das distopias. Mas tal como uma caixa de Pandora, estes filmes também dão esperança que alguns indivíduos mantenham o mais importante da humanidade. Não será um filme para recordar, ou sequer que se pense em rever, mas é um que se vê com emoção. E a mensagem foi claramente recebida. Filmes Filmes 2025 até ao últimoDistopiaMOTELx 2025Nuno ReisProva físicaStephen King