The Lost City Nuno Reis, 16 de Abril de 202211 de Agosto de 2025 Seth Gordon tem uma vasta carreira como realizador. E como produtor. E como várias outras profissões no mundo da sétima arte. Mas como argumentista o único trabalho conhecido foi “Freakonomics”. Até que decidiu escrever algo completamente fora do comum. Essa história foi depois adaptada a argumento pelos que viriam a ser os realizadores e dois argumentistas com pequena carreira que nunca tinham feito nada em comum ou sequer no mesmo género. Foi uma mistura arriscada com tudo para correr mal. E no entanto, apesar de exagerado, não foi mau. Loretta Sage é uma escritora de sucesso. A sua obra centra-se num espécime perfeito do género masculino de nome Dash que no meio de várias aventuras de tirar o fôlega se envolve com uma escritora. E ainda que Loretta se veja como essa escritora, para as fotografias contratou o modelo Alan. Ele tem os músculos, mas não tem a capacidade intelectual. Até que um milionário a rapta para uma ilha em tudo semelhante à dos seus livros, convencido que ela sabe onde encontrar o tesouro. E Alan vai atrás tentando ser Dash. O filme não esconde de onde vieram as ideias. Foi deixando dicas que revelam as influências. Loretta escreveu o livro “The Lost City of D” (como houve uma de Z) e a digressão é chamada “Romancing the Page” em homenagem ao “Romancing the Stone” que também serviu de inspiração. Mas o segredo do plágio é fazer diferente o suficiente para as pessoas não compararem muito, ou pelo menos bom o suficiente para não serem insultados pelas pessoas que conhecem o original. E este filme faz isso. Tem o estilo de humor característico de Sandra Bullock. Tem um estilo de humor familiar a Channing Tatum. Tem vários secundários divertidos como Daniel Radcliffe, Da’Vine Joy Randolph, e até cameos de Stephen Lang, Brad Pitt, e Bowen Yang. Esperava um filme pateta, mas até foi competente. Por vezes estende-se em detalhes que não funcionam, Radcliffe não está incrível neste papel, e o trailer é enganador quanto ao tempo que temos de Pitt, mas de resto funciona. Em especial tem diálogos que devem ser ouvidos mais de uma vez pela riqueza de conteúdo. De um lado Loretta a usar a riqueza de palavras de quem tom o dom da escrita. Do outro Alan a disparar o que lhe vem à cabeça sem grande significado. E os dois a terem uma química incrível construindo conversas que ficamos a ouvir deliciados por muito ridículas que sejam. Pode não ser um filme para prémios, mas é para ser visto regularmente como todos os outros de acção com Bullock. Nem que seja como guilty pleasure. Filmes Filmes 2022 Nuno Reis