The Mastermind Nuno Reis, 9 de Dezembro de 20258 de Dezembro de 2025 “Manual de instruções para roubos banais” ou “quando tudo o que pode correr mal, corre pior” O cinema tem tido recorrentes regressos do tema dos grandes roubos. Os famosos heist movies. Seguramente alguém estará já a preparar um argumento sobre como uma simples escada na lateral do Louvre funciona, mas queremos algo melhor. Queremos um plano tão bom que torcemos pelos ladrões. Merecem um prémio pelo seu esforço. Seja pela manipulação das câmaras, pelo estudo em detalhe da segurança das instalações, pela infiltração nas equipas ou chantagem aos funcionários, há sempre um golpe de génio à espera de acontecer. Mas isso é nos museus grandes. Não é nos pequenos museus de pequenas terras que só por acaso incluem obras inestimáveis nas suas colecções. É isso que vamos ver. JB Mooney é um carpinteiro desempregado. Ou melhor, com tempo livre para explorar outras opções. Passa tempo com a família e visita museus. O que eles não sabem, é que ele está a estudar a segurança do recinto. Está a planear um grande roubo ao museu e a família foi apenas um disfarce para lá entrar. Ao longo do filme vamos ver como ele planeia esse feito, como o executa, e como se esquiva da polícia com os bem roubados. Um génio do mal. Kelly Reichardt tem feito cinema independente com grande sucesso. Pouca visibilidade junto do público, mas presença habitual nos festivais. E numa era em que os filmes querem surpreender por darem mais, Reichardt volta à essência. Viaja para os anos 70. Uma década livre de tecnologias, quando nem as impressões digitais eram muito usadas como prova. Mostra-nos como o seu génio do crime faz o plano, testa a segurança, arranja financiamento e executa o plano. Mesmo quando o destino dá todos os sinais para não seguirem em frente com o roubo, JB persiste. E enquanto um outro filme desta categoria teria o clímax no golpe propriamente dito, talvez na fuga da equipa, “The Mastermind” é diferente. Começamos logo com o ensaio, vemos o assalto minutos depois. A maior parte do filme é o lidar com as consequências. Porque JB não é um génio do crime. Teve sorte, mas não tem os contactos, não tem a lábia, não tem jeito nenhum para uma vida de crime. E a sua vida normal foi seriamente afectada pela iniciativa. Esta é a história de um homem que queria enriquecer facilmente e acaba a fugir sem nada. Não é um criminoso que se admire ou se odeie. Vamos mudando de sentimento ao longo do filme. Filmado com uma palete sóbria, sem artifícios de qualquer tipo, e dedicando tempo às cenas mais banais que se possa imaginar, é um filme que foge ao padrão sempre que pode. Tem várias cenas divertidas – não hilariantes – e o jazz prende-nos quando a cena aborrece. Sem darmos por isso, o filme resolve tudo em menos de dez minutos. Será um filme para recomendar a muita gente, mas talvez não para rever brevemente. Filmes Filmes 2025 Nuno Reisobras de arteplano falhadoroubo