The People We Hate at the Wedding (2022) Nuno Reis, 28 de Agosto de 202525 de Outubro de 2025 Sabem aquelas pessoas num casamento que se portam tão mal , que nos questionamos porque foram sequer convidadas? Uma ou outra pode estar lá por amizade e só se porta assim devido ao excesso de álcool, mas geralmente, são da família. Foram convidados por obrigação. Neste filme de título longo, vamos ver o exemplo perfeito disso. Na introdução, pareciam uma família feliz e crianças adoráveis. Mas a vida encarregou-se de os tornar em adultos bastante mal-humorados e de mal uns com os outros. Quando a filha mais velha se vai casar, vão todos para Londres para a grande celebração. Mas todos com algum ressentimento com pelo menos um dos restantes convidados. E por estarem onde quase ninguém os conhece, não há filtros. Vão ser a pior versão deles mesmos. Vamos ver com atenção este elenco. Allison Janney já dispensa apresentações, a últlma década dela tem sido a fazer de mãe de pesadelo, e aqui reforça essa imagem. Kristen Bell – que tem feito mais comédias românticas por ano do que alguns fazem em toda a vida – é Alice, a irmã que deixa a vida em suspenso por causa de um romance secreto com o patrão. Tudo fica mais complicado ao conhecer um homem divertido, simpático e atraente no avião. Ben Platt é Paul, o irmão gay. Está acomodado numa relação com pouco diálogo, e esta viagem trará algumas surpresas para o casal. Cynthia Addai-Robinson é Eloise, a meia-irmã francesa que vai dar o nó. Apesar de todo o stress da data, a alegria do reencontro, o stress da família, também ela esconde algo. No geral cada um deles está a sofrer de alguma depressão e devia ter tratado de aviar a receita antes da viagem. Na falta disso, sentavam-se a falar. O grande problema de hoje em dia é egocentrismo. As pessoas não exprimirem emoções e asumirem que sabem o que os outros estão a passar. Este filme tenta fazer um resumo de vários problemas que com conversa seriam resolvidos. No final, a moral é simplesmente “a minha família é horrível, mas só eu posso dizer isso”. Percebe-se que Claire Scanlon vem das séries de televisão. O seu sentido de humor funciona e tem um currículo invejável nesse formato. Mas em filme as regras eram um pouco diferentes. E ainda que cada história funcione razoavelmente bem de forma independente – cada uma com os seus próprios clichés e algumas tentativas de fazer algo de novo – no seu todo sofre de autogagia. Cada nova história vem sabotar um pouco a anterior. O filme devia ter optado por um par de situações em cada personagem, definir uma história principal para desenvolver, e deixar o resto em segundo plano. Assim é bastante divertido de ver, mas nenhuma ficará em memória. Filmes Filmes 2022 Amazon Primecasamentodespedida de solteiraNuno Reisviagem em família