The Quiet Earth (1985) Nuno Reis, 5 de Outubro de 202524 de Outubro de 2025 O filme que mudou o mundo sem ser visto Sábado falei no Fórum Fantástico sobre filmes importantes de 1985. “The Quiet Earth” de Geoff Murphy era o menos conhecido dessa lista. A primeira obra de ficção-científica neo-zelandesa apesar de ter sido completamente ignorada, tornou-se fenómeno de culto por todo o mundo. E dois anos depois estava Peter Jackson a lançar filmes de terror, a colocar o país no mapa e a dar os primeiros passos para mudar a cinema de fantasia para sempre. Aliás, Geoff Murphy foi o responsável pela segunda unidade de rodagem na trilogia “Lord of the Rings”. A trama pega num tema difícil, que a cada poucos anos alguém tenta fazer: como seria estar sozinho no planeta. A primeira pessoa que conhecemos é um cientista. Ele tenta comunicar com quem quer que seja, ao mesmo tempo que quer descobrir o que aconteceu. O grande risco corrido por esta longa, foi definir o seu próprio ritmo. Ignorando o que faria um filme comercial, “The Quiet Earth” sabia que ia ser um filme longe do mainstream. Começa com um ritmo bastante lento. Inclusivamente dá-nos tempo para apreciar o nascer do sol. Segue-se muito tempo sem diálogos, apenas um homem a deixar mensagens onde e como pode, numa tentativa pouco esperançosa de encontrar alguém. Apesar do baixo orçamento, traz vários detalhes sobre esse abrupto corte com a normalidade e dá-nos tempo para reflectir sobre a situação. É um ensaio sobre a pressão de estar sozinho e como mesmo um cientista – alguém acostumado à reflexão, a estar isolado, e capaz de pôr as emoções de lado – começa a definhar mentalmente. Quando começam a surgir pessoas, ainda que pareça entrar nos clichés previsíveis, consegue sempre dar um toque diferente e fazer algo que nos quarenta anos seguintes não se viu. As interpretações não são boas, mas as várias camadas criadas e os silêncios – quando sabemos que há vários temas a não serem ditos – são muito eficazes. Mesmo a causa encontrada para o Evento é simples e credível. Não há excesso de tretas a tentar criar uma justificação para uma narrativa que prima pela simplicidade e eficácia. O climax chega quando o problema está descoberto e podem impedir uma situação pior. Já quanto à última cena, as opiniões dividem-se. É aberto em vez de dar respostas. Obriga a pensar. E quem viu este filme até ao fim não só pensará, como não o esquecerá. Lamentável que a televisão não se atreva a transmitir filmes assim de vez em quando. Filmes Filmes 1980's Mundo pós-apocalipticoNuno Reisúltimo homem