The R.I.P Man Nuno Reis, 2 de Janeiro de 20261 de Janeiro de 2026 Para descansar um poucos dos vários filmes que nos chegaram estes meses candidatos a prémios, vamos espreitar uma produção independente que chega para a semana ao video on demand. “The R.I.P Man” nasceu como muitos outros filmes. Umas pessoas com ideias lançaram uma campanha de crowdfunding, atingiram o seu objectivo e o filme tem de acontecer. Após alguns festivais nos últimos três meses, dia 5 estará disponível online. Estamos perante um slasher. Como manda a fórmula, uma rapariga sozinha em casa não fechou bem todas as entradas e isso vai ditar o seu fim. Já nós, vamos ter oportunidade de ver o assassino. Não tem máscaras elaboradas, apenas uma protecção bocal com a sigla R.I.P. – Rest In Pain. A onda de crimes tem apenas um propósito: extrair um dente a cada pessoa. E as pessoas não se costumam separar deles sem alguma luta. Enquanto a polícia anda perdida a interrogar os suspeitos óbvios, o tira-dentes continua por aí. Cabe aos amigos da vítima fazerem algo, enquanto restam alguns. Vamos começar pelo óbvio. Pelo que diz a ficha o orçamento rondou vinte mil libras. A campanha recolheu um quarto disso. É um filme feito com muitas limitações e que sabe disso. Vamos ter planos escolhidos a dedo para mostrar pouco pois o orçamento não permitia desfazer bocas e destruir cenários. Vamos ter armadilhas pouco credíveis. Mas também vamos ver criatividade. O acessório deixado pelo assassino é uma dentadura de brincar. Um brinquedo fácil de encontrar, relacionado com o tema, e que deixa as futuras vítimas confusas e fáceis de apanhar distraídas. E cumpre as regras mínimas. As personagens de quem devíamos gostar são quase insensíveis às mortes dos amigos e ignoram a própria segurança como em todos os filmes do género. Isolam-se à noite em locais escuros, colocando-se em risco desnecessariamente. A polícia procura pistas sem fazer ideia do que procuram, e quem sabe algo fica calado por vergonha. Em termos narrativos parece dar uma grande volta porque os actores não estão bem. O filme demora a agarrar pois sempre que está encaminhado vem uma frase dita sem emoção que quebra a magia. Owen Llewelyn como o perpretador está bem. Tem o ar maléfico e tresloucado que era pedido. O pouco tempo de tela também ajuda a manter um certo mistério. Entre os jovens visados, Mia Bowd é a mais convincente, mas também quem tem menos falas. Quando finalmente chegamos às pistas úteis e a história se começa a desenvolver, o filme acelera um pouco e fica mais envolvente. Até ignoramos as más interpretações. E finalmente, mesmo no final, dão uma sugestão para sequela que convence mais do que todo o filme. Que por acaso até está em pré-produção. Nota-se que a fotografia é cuidada e escolheram localizações adequadas para a história, só falta um fio narrativo para encaixar tudo. E cada cena parece ter sido aceite à primeira vez que ninguém se enganou na fala. Sem grandes ensaios ou variações, com foco apenas na eficácia. Mas se procurarmos pontos positivos, tem alguns. A justificação pela onda de crimes é tão estúpida como em todos os assasinos deste género, mas consegue ser original e não tão rebuscada como o costume. E a banda sonora atira-nos imediatamente para o terror italiano. As intenções eram boas, só não houve orçamento para fazer tudo. Em resumo, quem está acostumado ao cinema com grandes orçamentos e produção de topo, é melhor evitar esta proposta. Quem tiver curiosidade pelo que é possível fazer com muito pouco, pode ver para os apoiar. Eu não veria segunda vez, mas fiquei com curiosidade para ver a continuação e só a teremos se este tiver algum retorno. Filmes Filmes 2025 Nuno ReisSlasher