The Roses Nuno Reis, 12 de Setembro de 20258 de Janeiro de 2026 Há muitos anos vi “War of the Roses”. Na altura eu era um jovem e interpretei como uma comédia. Tinha receio de ver um remake, mas garantiram-me que era diferente. E devido à idade achei que me faria bem ver novamente para ter uma nova perspectiva. Entre ver o original e uma cópia, não faria mal ver a cópia. Se fosse boa, escrevia sobre ela. Se fosse má, depois via o original e escrevia sobre ambos. Esta nova versão tem muitas diferenças. Novos nomes, novas profissões, novos amigos, e uma grande modernização. Mas o foco é o mesmo. Duas pessoas apaixonadas que se afastam gradualmente. Theo Rose é um arquitecto. Conhece Ivy num restaurante e a faísca é imediata. Mudam-se para a América e começam uma família. O sucesso chega a Theo que é contratado para desenhar um museu. Com esse dinheiro lançam um pequeno restaurante para Ivy poder cozinhar para o mundo. Não é um sucesso, é mais um passatempo. Até que uma tempestade vem mudar tudo. O arquitecto fica sem emprego e o restaurante torna-se uma sensação. Isso muda a dinâmica do casal e despoleta a tensão. O argumento quis dar a ambos profissões muito visuais e conseguiram. Cabia à produção cumprir a intenção. O filme tem sempre uma imponência tremenda, a simbolizar o potencial das pessoas que estamos a ver. Ambos poderiam ser um sucesso, se não fossem as obrigações familiares. É que mesmo quando se livram dos filhos, nenhum dedica tempo ao casamento. Normalmente quando uma pessoa tem imenso sucesso, o cônjuge relega-se a apoiar esse sucesso. Aqui, nenhum faz o mínimo esforço para criar o equilíbrio mínimo. Aliás, como são ambos passivo-agressivos, destroem a relação num instante. É incrível como o outro lado aguenta. Mais incrível é que ainda conseguem ter o casamento mais saudável entre os seus amigos. É um filme divertido, que é preciso estar acostumado ao humor inglês que apreciar. As estrelas inglesas que o protagonizam serem populares facilita, mas ainda assim é melhor interpretado quando mais conhecermos. Entre os americanos Kate McKinnon continua a exagerar no seu registo habitual e Adam Samberg mantem uma sobriedade que começa a ser mais frequente. Mas tal como todos os restantes, passado uns dias estão esquecidos. É um duelo a dois entre Colman e Cumberbatch que vai tendo momentos altos e baixos, sérios e divertidos, privados e públicos. Um casamento como todos os outros, mas que nos faz acreditar que é melhor trabalhar pelo final feliz do que deixar a alternativa ganhar. Filmes Filmes 2025 arquitectocasamentoCulinárioDivórcioNuno Reis