The Shootist (1976) Nuno Reis, 11 de Agosto de 202525 de Outubro de 2025 Quando dizemos que já não se fazem filmes como antigamente, é porque, olhando para trás, é muito fácil encontrar exemplos de bons filmes porque os maus foram sendo esquecidos e perdidos. Há alguns títulos que vão definindo o género em que se inserem e outros são grandes coincidências. Um western que começa com o nome Dino de Laurentis e a seguir tem o de John Wayne, capta logo a atenção. Se prestarmos atenção seguem-se os nomes de Lauren Bacall, James Stewart, John Carradine e até Ron Howard. E quis o destino que este livro sobre um atirador moribundo fosse o último papel do lendário John Wayne. As pessoas de então não o sabiam e foi um pequeno fracasso de bilheteira, mas a história estava a ser escrita. Enquanto Books está a morrer de cancro, também Wayne estava a definhar e morreria das mesmas razões. A sua entrada no elenco foi derivada a vários outros candidatos terem recusado, mas depois de lá chegar conseguiu trazer os seus colegas de profissão favoritos. Todos demasiado velhos para as personagens do livro. Todos irrecusáveis quando sugeridos. Até o cavalo escolhido foi o seu parceiro em vários outros westerns anteriores. J.B. Books é um atirador com uma reputação. Ao discordar da opinião de um médico vai ser consultado pelo único em que confia, mas o prognóstico é idêntico: só tem mais umas semanas de vida. Proibido de se deslocar, vai passar os últimos dias numa cidade que não o adora, rodeado de pessoas que o querem ver morto depressa ou que querem acelerar o processo. Books revela ser mais do que um atirador. Aos olhos do mundo é um assassino cruel e eficaz. Mas é um homem que sabe o peso das suas acções e não se arrepende. Que já viveu muitos anos e se vai resignar com o destino. Está a lidar com a notícia, com o ódio da população pela sua fama, mas ainda tem tempo para fazer os seus planos e ajudar quem ficou do seu lado. E esse é o ponto alto do filme. Dizem que a participação de Stewart foi difícil de gravar, mas o resultado final está bom. Carradine tem uma presença breve, mas eficaz. Bacall está incrível. E Wayne podia ter feito o filme sozinho tal é a presença. No geral saem-se todos bem, só Harry Morgan como o xerife local é demasiado falso. Até Ron Howard – que normalmente só conhecemos como realizador – é um actor decente. São uma série de actores profissionais e experientes a trabalharem com uma lenda e a não a quererem deixar ficar mal, não sabendo que era a última vez. Olhando para o filme quase 50 anos depois, aguenta bem o teste do tempo. O cenário está bom. Tecnicamente não tem falhas de maior (além do péssimo sangue falso). O cenário é o adequado e a sonoplastia até para os padrões de hoje está boa. O suspense fica em segundo plano até ao momento em que tinha de entrar. E aí sim, temos a despedida que o maior pistoleiro do cinema merecia. Filmes Filmes 1970's cancrodueloNuno Reis