Le Mangeur d’Âmes Nuno Reis, 21 de Setembro de 202423 de Outubro de 2025 O cinema francês teve uns anos muito interessantes há duas décadas. Entretanto, as promessas em quem depositavamos tantas esperanças foram desaparecendo lentamente. Os poucos que continuam a marcar presença em festivais são Bustillo e Maury que vão lançando longas regularmente, ainda que com o terror tenha menor intensidade do que nos tempos de juventude. Esta longa faz lembrar o fenómeno “Meurtres à…” (“Assassinato em…”) que tem ocupado a programação do AXN White. Nessa colectânea de tele-filmes, pequenas localidades francesas são vítimas de homicídios e os detectives locais (muitas vezes ou acabados de ser transferidos, ou de regresso a casa) vão ter um caso grande em mãos. Demasiado grande para a esquadra. Demasiado pessoal para o responsável. É o mesmo aqui. O filme é um drama e crime, adequado para passar na televisão, mas não chega perto de ser terror para os fãs. O comedor de almas é parte do folclore local e é responsabilizado por tudo o que acontece de mau como mortes, suicídios e desaparecimentos. Quando o rasto de uma série de desaparecimentos de crianças leva o detective do caso até uma pequena localidade onde uma criança desapareceu, parece ser mais um dia sem pistas. Mas ocorreu um homicídio sangrento que choca a polícia local. Poderão investigar os dois casos sem se atropelarem, ou é melhor começarem a investigar em conjunto? Será esta criança vítima de um crime, testemunha do outro, ou independente de tudo isso? Comparando com a produção televisiva, não tem um elenco tão poderoso como se poderia esperar. Paul Hamy é um desconhecido fora do seu país, o que ajuda na dualidade de ser estranho e inclusive possível suspeito, ou um polícia obcecado. Virginie Ledoyen segura o segundo protagonismo de forma impecável com a sua experiência e nem parece fazer esforço. Ainda que muitas vezes não me agradem as suas escolhas de papéis, é cada vez mais natural no que faz. E temos como bónus Sandrine Bonnaire, que também é uma estrela nacional sem grande projeção, mas muito reconhecível entre os seguidores do cinema francês. Existem vários outros talentos de diferentes idades e de forma global competentes. França sempre foi terreno fértil para actores e aqui não há nada a apontar. Um elenco adequado para a dimensão do produto. O filme acaba por não ser mau e até tem uma criatura relativamente eficaz em termos de mitologia. O problema são as expectativas e o tentar agradar a toda a gente. Como espectadores de terror, o nível de horror não convence. Parece um mero policial. Para espectadores de thrillers, a lenda não terá o efeito esperado e há crimes a mais para que se tente resolver o mistério. Ou pelo menos a experiência de o tentar resolver será bem diferente. Será certamente um título para rever quando der na televisão, mas não tem apelo para rever (ou sequer ver) em cinema. Filmes Filmes 2024 Criança desaparecidaLendasMOTELx 2024Nuno Reis