The Spirit of Halloweentown Nuno Reis, 30 de Outubro de 202517 de Janeiro de 2026 Ceder espaço para filmagens parece ser divertido e dar algum retorno financeiro, mas por vezes condiciona o futuro. Lembro-me sempre da casa dos que, apesar de ser num canto remoto do Oregon, recebia algo como 100 pessoas por dia e os donos tiveram de construir uma vedação em volta para ter alguma privacidade. Até que foi comprada por um fã do filme que lhe está a dar o tratamento adequado. Outro local no Oregon que passou pelo mesmo foi St. Helen, uma pequena povoação a (100km dessa casa) onde se rodou “. Por ser mesmo a norte de Portland, que tem um aeroporto, o fluxo de turistas era ainda mais descontrolado. E a vila decidiu fazer algo quanto a isso. Aos poucos abraçaram o tema e tornaram-se a capital do Halloween. Esta é a história de como estão. 25 anos depois do filme lhes ter dado visibilidade e um propósito. No início parece um documentário amador. Algumas das entrevistas podiam ter sido gravadas segunda vez para evitar gaffes. Uma das entrevistadas está afónica. Foi como se estivessem a despachar por obrigação. Não parecia trabalho de uma dupla com experiência na arte. Lentamente, a verdadeira intenção vem acima. Era como o título dizia: vamos conhecer o espírito de Halloweentown. Para isso temos de fazer parte da vida real, não de algo produzido para enganar. Vamos conhecer os habitantes como eles são. Uns jovens, outros com mais idade. Uns com cargos importantes nos festejos, outros contra tudo isso. Uns que cresceram no meio disso, outros que vieram de fora para fazerem parte da história futura. Todos terão uma palavra a dizer. Não “todos” os habitantes, mas diferentes perfis. Autênticos. O tema é o que se estiver a passar nesse momento. E o melhor é que se escusam a dizer se acreditam ou não nos espíritos. Até caçadores do paranormal vão aparecer para a conversa! No fundo, é a história de uma vila como muitas outras. Tem a sua tradição – neste caso muito recente – que quer partilhar com o mundo. Envolve as pessoas locais, divertem-se, animam a economia local que de outra forma estaria condenada. Neste caso o telefilme deu o mote para o tema dos mortos, mas podia ter sido uma maratona, uma feira de gado ou um concurso de tartes. O formato seria eficaz em todos eles. A diferença é que os mascarados dão um ar festivo e alegram o filme. Para compensar todas as verdades deprimentes que vamos ouvindo. É também um retrato da América verdadeira, em oposição à que se vê nos filmes. Pessoas simples, imperfeitas, que gostam da sua comunidade e têm orgulho na sua terra e nos seus. Que sabem ouvir os mais velhos e dão palco aos mais novos, numa experiência inter-geracional que garante a longevidade dos festejos enquanto houver gente a celebrar a noite em que os mortos caminham entre nós. Como diz a música, “This is Halloween”. Filmes Filmes 2024 FantasmasHalloweenHalloweentownNuno Reisparanormal