The Suicide Squad Nuno Reis, 6 de Agosto de 202110 de Setembro de 2025 É unânime que o primeiro “Suicide Squad” foi um barrete. Pegar em personagens secundárias e dar-lhes o protagonismo será sempre um projeto arriscado. Mesmo que tenham tido cuidado a escolher actores de primeira, não poderiam ter vilões bons. Esses estavam reservados para os super-heróis. Depois optaram por David Ayer que, apesar de ter feito alguns filmes conhecidos, ainda não convenceu. Portanto, a única opção era um plano em três partes: ignorar um filme vencedor de Oscar (foi apenas de caracterização, caso estejam em choque com a notícia); descartar Will Smith, Jared Leto, David Harbour e Common entre outros; e fazer tudo do zero com James Gunn, a única pessoa capaz de fazer algo com um bando de inadaptados completamente diferentes. Sim, estavam a imitar a Marvel, mas aproveitando o lapso da Disney que achou que podia descartar um funcionário sem levantar ondas, eles apanharam a pessoa certa. E portanto, Amanda Waller manteve Harley, Boomerang e recomeçou a Task Force X do zero. Por hábito ia começar a frase com “Os nossos heróis do costume”. Disparate. “Os vilões de quem nunca ouvimos falar” são enviados para uma ilha numa missão suicida. Devem impedir um cientista de concluir o seu projeto secreto com tecnologia nazi. Para isso terão de sobreviver num país que acabou de sofrer um golpe militar e onde exército e rebeldes matam desconhecidos em cada esquina. Como se eles precisassem de ajuda para morrer. É que, sendo dispensáveis, Waller sabe bem que nem todos viverão e até agradece ter menos ocupação na sua prisão especial. O grande trunfo do filme é mesmo o carisma de Gunn. Conseguiu reunir uma série de grandes nomes no elenco para os descartar simplesmente. Quem mais teria tal audácia? O humor está sempre presente e a violência quando surge é brutal, mas a invulgar combinação funciona. O anonimato dos elementos da equipa permite algumas surpresas quanto a poderes e características, e a nossa Daniela Melchior, apesar de ter um papel pequeno, não vacila perante as lendas que a rodeiam. É um filme que começa em grande, muda abruptamente para apanhar os espectadores desprevenidos, e depois trilha o seu próprio caminho sem grande respeito pelas regras. O confronto final volta a ser muito tradicional – o que desilude um pouco – mas funciona. Temos aqui heróis para mais filmes e, fazendo a obrigatória piada de serem vários jokers no baralho, devem ser usados como trunfos sempre que possível. É muito fácil colocar um super-herói num filme de outro por eles terem liberdade. Estes encarcerados dificilmente passam para dizer um olá. Mas porque não serem recrutados individualmente para missões específicas? A mera ideia vai soar a “podemos ter a Robbie em todos os filmes!”, Não é todos os filmes, não é sempre a mesma personagem, é ocasionalmente escolher a personagem certa para complementar a história. As regras mudaram. A DC ficou mais divertida. Vamos aproveitar enquanto dura. Filmes Filmes 2021 Nuno Reis