Thelma Nuno Reis, 1 de Dezembro de 202415 de Janeiro de 2026 Quando eu era um jovem convencido que sabia mais que os outros, dizia que a Internet não devia ser pública. Esse admirável mundo novo era demasiado complicado e perigoso para o cidadão comum. Ficariam deslumbrados e iludidos com as possibilidades. Entretanto comecei a publicar os meus artigos nesse meio e a ver muito potencial na web 2.0, mas ainda a ter renitências. Quando chegamos à 3.0 perdi as esperanças. Todos estavam na Internet, ninguém estava preparado para isso. Ou seja, eu tinha razão. Dizem que a Internet é um mundo. Isso porque está cheia de gente incrível e de lugares maravilhosos, mas também tem algumas das pessoas mais atrozes e lugares onde ninguém quereria entrar. E todos estão expostos a isso. Enquanto para as crianças pode ser um trauma que só muita terapia reduz, para os séniores é pior. Porque se acham autónomos, se acham sábios e experientes. Mas isso é no mundo real. Não estão preparados para o mundo virtual. Procuram vídeos de gatinhos, e caem como patinhos. Este filme dá um passo atrás. Vem relembrar que a fraude não é algo que nasceu com a internet, mas com o ser humano. Desde que há comunicação que temos meio mundo a enganar outro meio. Tudo começou com a Thelma verdadeira que foi enganada. Esposa de um realizador e avó de outro, era inevitável que esse episódio desse origem a um filme. Portanto na ficção temos a Thelma a cair na velha história, mas esta vai partir numa missão para recuperar o seu dinheiro. Felizmente a esparrela não partiu de um call center no meio de Myanmar. Foi tudo local. E portanto, ela vai pedir satisfações. Podia ser uma comédia informativa sobre as fraudes, ou humor fácil sobre as debilidades que chegam com a idade. O produto que temos é um drama sobre a vida disfarçado de comédia. Temos o neto que parece prestável, paciente e bem disposto, mas na verdade é inseguro e não se sente “adulto”. Temos a filha que está na fase sanduíche, esmagada entre a mãe que volta a ficar dependente e o filho que ainda não é tão independente como devia. O genro é um elemento externo. Está presente, mas não se quer meter nas decisões. Só dá raspanetes ao filho sobre o que devia ter feito. E de resto, a narrativa é sempre sobre uma senhora simpática com muitos defeitos. Está velha, grande parte dos seus amigos já morreram, a memória é traiçoeira, e tratarem-na como uma criança não ajuda. O filme pega em vários dos temas chave ao dispor e constrói uma história simpática e que vai evoluindo de forma empolgante. Torcemos por ela, mesmo sabendo que está numa demanda impossível. O seu cúmplice forçado tenta ser a voz da razão e cumprir o que se espera de alguém com certa idade, mas Thelma é uma força imparável e sem juízo. O primeiro protagonismo de June Squibb chegou numa idade em que se sonha com a oportunidade de entrar num remake de “Miss Peregrine's Home for Peculiar Children (2016)ⓘ×Miss Peregrine's Home for Peculiar Children2016★ 3.0/10Um adolescente é transportado para uma ilha onde deve ajudar a proteger um grupo de órfãos com poderes especiais de criaturas que pretendem destruí-los.View full page →Our Articles12 de Novembro de 2016Review★★★☆☆ 3.0Miss Peregrine's Home for Peculiar Children” pois não há papéis para mulheres aos noventa. Foi uma ideia original e um filme que se deve rever quando os nossos velhinhos começarem a fazer mais do que um disparate ocasional. Não é um filme que melhore com a idade. É um filme que melhora quando envelhecemos e percebemos o que significa não acompanhar os tempos e não conseguir levantar sem ajuda. Filmes Filmes 2024 AmnésiafraudeInternetNuno Reisterceira idadeVingança