Tornado Nuno Reis, 20 de Janeiro de 202620 de Janeiro de 2026 Esqueçam a sinopse e quaisquer expectativas. “Tornado” não é o que esperam, e provavelmente nem o que querem ver. Mas isso não quer dizer que não devam ver. A trama começa nas Ilhas Britânicas, nos finais do século XVIII. Vemos uma rapariga a correr num floresta, com um rapaz pouco atrás. Ela, uma adolescente japonesa. Ele, um miúdo europeu. Um bando aproxima-se deles em passo lento. São caçadores e sabem que não adianta correr. O alvo não tem por onde escapar. Está imenso vento, mas não um tornado. Só depois de estarmos familiarizados com algumas destas personagens é que nos será contado o início da história e o contexto desta perseguição. Só depois de tudo isso começa a lenda de Tornado. Quem conhece a obra anterior de John Maclean, ““, lançada há dez anos, pode ter uma boa ideia do que é um western que leva o seu tempo. Quem esperava ver um filme de samurais, também vai ter de esperar um pouco. É que são dadas várias referências, mas aquilo que nos foi vendido demora muito a chegar. Só nos últimos vinte minutos. Até lá temos histórias intemporais como o filho que desafia a autoridade do pai. Temos uma adolescente que quer dormir até tarde e ir à povoação em vez de trabalhar no negócio da família. Além disso, ela começa a evitar usar a língua dos seus antepassados e usa preferencialmente a da terra onde agora vive, Temos um grupo de criminosos impiedosos a pilharem e matarem quem se atravessar no seu caminho. E temos algumas personagens de fundo apenas para nos fazer pensar no motivo das suas acções e inacções. Então, isso significa há menos duelos de espadas que em ““? Nada temam. Apesar de haver armas de fogo e arcos, a espada é a preferida da maioria dos guerreiros. Vamos ver o ocasional combate. Nenhum com coreografias maravilhsas, mas um mínimo para dar uma amostra. Até o espectáculo de marionetas de que falam na sinopse tem planos incríveis, mas esconde a parte mágica, dando a ideia que quiseram facilitar. Nos combates e demais situações com sangue há uma francamete má (a primeira morte de Tornado em modo samurai), todas as outras são convincentes. Visualmente e em termos de banda sonora é um filme competente. Em termos narrativos, é mais complicado descrever. “Tornado” tem referências a várias cenas icónicas do cinema japonês e tem uns toques do bushido, mas é principalmente um western. Uma terra selvagem onde manda a lei do mais forte. Tim Roth como sempre é um grande vilão, ainda que aqui tenha estado a fazer o mínimo de esforço para não se destacar. Do lado oposto Kôki é uma protagonista aceitável. Tinha uma personagem antipática de quem era difícil gostar, mas cumpre. O filme tem um toque de humor – mais do que seria desejável – e apesar de se perceber a intenção deste cruzamento de géneros, essa não é clara. Pelo menos evita vários lugares comuns o que ajuda a manter os espectadores entretidos e algo surpresos. É uma história fora do comum que durante uma hora nos faz desgostar da heroína e depois finalmente entra naquilo para que se comprou bilhete. Não tem o impacto visual dos originais japoneses, mas é o melhor filme de samurais filmado na Europa esta década. Pode não ser muito, mas foi com boa vontade. Filmes Filmes 2025 circofamíliaNuno ReissamuraiVingança