Violent Ends Nuno Reis, 23 de Janeiro de 202623 de Janeiro de 2026 Uma grande história com mensagem John-Michael Powell não é um nome que se reconheça. Tem algumas dezenas de trabalhos como editor, e apenas cinco como argumentista/realizador, sendo esta a segunda longa. Mas “Violent Ends” é uma boa carta de apresentação. A narrativa acompanha Lucas Frost, aparentemente a pessoa mais honesta numa família com tradição no crime. Até que a pessoa errada no local errado faz desencadear uma série de acontecimentos que vão colocar a harmonia familiar dos Frost em convulsão. Vamos assistir a uma jornada de violência e ao lento esvair do que restava de moral numa pessoa sem nada a perder. Ao início o filme asusta um pouco. É que surgir um pequeno texto explicativo a dar contexto é normal. Aqui, temos uma árvore genealógica que especifica os crime de cada lado da família e diz quem está onde. Não vale a pena fixar, é só para sabermos que são maus. Em seguida vamos ver Lucas a fazer algumas actividades normais. Como sabemos que não é boa peça, tudo parece suspeito. Assim que estamos convencidos que é boa pessoa, vamos ver o lado pior. Aquilo que andou a esconder durante anos. A trama segue a receita convencional de um thriller. Nõs como espectadores não sabemos muito mais do que as personagens. Vamos assistindo ao desenvolvimento da história numa década relativamente simples em tecnologia e longe dos grandes centros urbanos. Apenas gente comum a tentar levar a vida sossegados enquanto uns traficantes tentam diversificar o negócio. O peso do filme está nas personagens, em especial Lucas (Billy Magnussen), Tuck (Nich Stahl) e Kate Burton (como a xerife Darlene Woodley). Eles e um lote muito variado de vilões – com maior foco no arrepiante Sid interpetado por James Badge Dale – é que tratam do filme. A violência claro que também tem lugar e confesso que está na dose certa. Noutros tempos chocaria por excessiva, mas hoje em dia estamos tão indiferentes que nem ligamos e aqui isso é pena. “Violent Ends” é para quem aprecia um filme feito para a mensagem, não para o simples choque, A mensagem precisava de violência, mas nem toda tem lugar perante as câmaras. Bastava dizer que teve lugar. Visualmente está bem. Tem planos de segundos pensados ao promenor e na maioria nem a realização nem a edição se intrometem na narrativa. O cenário do confronto final não foi nada bem escolhido, mas de resto nada a apontar. É um bocado longo e alguns detalhes dados no início se calhar foram esquecidos quando voltam ao tema uma hora depois e só por isso parece demasiado longo. Diria que é daqueels filmes que se vê com gosto e se esquece dias depois só por ser adequado em tudo por oposição a exagerar. Mas passa o teste de poder ser revisto sem estragar nada o que hoje em dia é ainda mais difícil. Filmes Filmes 2025 famíliaNuno ReisTráfico de drogaviolência