We Bury the Dead Nuno Reis, 16 de Fevereiro de 202615 de Fevereiro de 2026 Quando os filmes querem fazer o circuito dos festivais, costumam demorar um pouco a estreiar. Isso é muito comum com os de género. No caso de “We Bury the Dead” ficou pronto em 2024, fez festivais todo o 2025, mas eperou pelo primeiro dia de 2026 para estrear para ser considerado como um filme deste ano. O resultado foi o esperado: fez festivais por todo o mundo, e ouviu-se falar dele durante um ano. Mas isso não quer dizer que fosse um filme para os fãs do fantástico. O seu foco foi mais generalista. É um filme de zombies, mas sem o terror. Da mesma forma que em uma experiência americana causa problemas até na remota Nova Zelândia, desta vez as trapalhadas vão ter lugar na paradisíaca Tasmânia. Uma detonação não-programada causa um despovoamento instantâneo. Quando chegam os voluntários para ajudar na identificação dos corpos, uma delas tem uma missão pessoal. Ava procura o seu marido e está disposta a tudo para confirmar em pessoa a notícia que não quer ouvir. Mas essa operação tem uma dificuldade acrescida. Alguns dos falecidos voltaram a ficar online como dizem os militares. Enquanto confirmam os mortos, têm de ter cuidado com que só morreram assim-assim. E Ava vai subir ainda mais a parada ao escapar para a zona que os militares não controlam. A camada mais óbvia é a dos zombies lentos para os quais estão avisados. Uma curiosidade científica que a cultura popular tornou em mito e que se associa ao terror. Mas aqui, pelo menos na parte controlada, são apenas manequins. Estão de pé, mas pouco se movem e não mordem. Em segundo lugar, mas igual em importância está a memória do casamento. Ava é bombardeada com recordações do homem que ama. Percebemos porque sofre e porque procura respostas. Ao fim de algum tempo já se aceitou que o filme não vai ter terror. É um drama sobre o amor com algumas personagens humanas com bastantes defeitos que o tornam demasiado credível. Fez recordar muito o tom de um filme anterior de , para quem o viu. E depois temos as verdades nuas e cruas que não queriamos ouvir pois nem só os militares ocultaram detalhes importantes. Foi um filme com a duraçáo certa e que seguiu o caminho que pretendia sem comprometer a mensagem. E o truque foi precisamente não passar demasiadas mensagens. Os principais diálogos são interrompidos para cada um os completar como pensa que serão. Para nos identificarmos com as personagens. É como um filme num mundo aberto. Com imensas possibilidades para explorarmos. Filmes Filmes 2026 casamentoMulher forteMundo pós-apocalipticoNuno ReisZombies