Weird: The Al Yankovic Story Nuno Reis, 1 de Março de 20237 de Setembro de 2025 Quase todos os músicos com carreira tiveram um biopic sobre eles. Al Yankovic sempre sonhou ser não o melhor, mas o mais famoso acordeonista num género extremamente específico de música. E depois de ter feito história –a mais peculiar de sempre – era mais do que merecido darem-lhe um filme. O único problema? Deixaram-no ter uma palavra a dizer sobre o que e como contar. Aliás, a escrever o filme. Quando nos dão poder criativo para falar sobre nós, é fácil exagerar um pouco. Falar apenas das partes boas, mostrar como trabalhamos para conseguir o que atingimos, dizer que somos muito bons. E quem vir o filme saberá imediatamente que tudo isso é falso. Nos famosos mesmo os factos reais são surpreendentes, qualquer acrescento é exagero. Excepto se os seus fãs forem fãs precisamente devido ao exagero. Por não seguir as regras e reescrever obras intocáveis para próprio prazer. Um filme sobre o verdadeiro Weird Al seria provavelmente aborrecido. Um filme escrito pelo Weird Al, seria provavelmente louco. Mas a fusão dos dois… é uma obra de arte. O simples facto de Al se ter cruzado com autênticas lendas do meio artístico (não só musical) já seria motivo de destaque, mas além disso também arranjou um elenco de luxo para interpretar esses ícones. E como nos acostumou a não ligar nada ao que faz e diz, a história que conta ignora a realidade. Demoramos um pouco a perceber isso. As primeiras alterações são ligeiras. Podem ter sido embelezamentos da realidade. Mas subitamente começa a alterar factos de conhecimento geral. Cada vez alterações maiores, não só para o engrandecer, mas para fazer pouco de outros. Sem falar das pequenas deixas que só os fãs perceberão. A melhor forma de perceber quem é Weird Al, é ouvir a sua música. Ver um filme da sua autoria, é como ouvir a melhor parte da sua música de uma só vez. E não é só isso. Cameos inesperados e completamente adequados. Bons actores que parecem improvisar de tão inesperadas as situações são. Uma loucura controlada para não assustar quem é alheio à obra, mas ao mesmo tempo respeitar quem já o conhece há 40 anos e ainda quer ser surpreendido. É um filme que foge às regras das biografias, mas como trabalho de ficção não há nada a apontar. Yankovic sempre definiu o próprio rumo, por isso ter um filme diferente de todos os outros faz parte da sua identidade e mereceu-o. Filmes Filmes 2022 Nuno Reis