Wicked: For Good Nuno Reis, 21 de Novembro de 202517 de Janeiro de 2026 Um ano depois, estamos de volta. Como se um filme de duas horas e quarenta minutos não bastasse, a segunda parte tem duas horas e dezassete! Depois de Shiz, onde vimos um mundo com muito rosa, muita gente jovem, alegre e a cantar, vamos entrar num novo Oz. Já não há alegria, apenas medo. O sequestro dos animais continua, mas agora o alvo principal é a wicked witch Elphaba. Com um chapéu pontiagudo e a voar numa vassoura, só lhe faltam um gato e um caldeirão para ser o nosso estereótipo de bruxa má. A população teme-a. Ainda assim, a construção de uma estrada com tijolos amarelos continua. E Glinda personifica a grande esperança de terem magia boa capaz de impedir a magia má. Finalmente podemos falar de spoilers. No vimos que o feiticeiro não fazia magia, apenas engenhocas que enganavam os comuns mortais. Como Arthur C. Clarke dizia, “a ciência suficientemente avançada não se distingue da magia”. Glenda é uma fraude. Ela não tem magia. Mas o que ninguém sabe, é que ela se opõe aos métodos de Elphaba, mas não a quer derrotar. Ela apela ao diálogo. Por ter tido uma vida mais facilitada, pensa que tuo se resolve a bem. Só que Elphaba sabe o que os animais estão a sofrer – também ela foi ostracizada muitas vezes – e não pode permitir que o regime continue. Elas estão em cartazes diferentes e são vistas como adversárias, mas o seu objectivo é o mesmo. Ajudar o próximo e acabar com o sofrimento. Referi que o primerio filme era espectáculo visual e sonoro para ser visto em cinema com pipocas e toda a festa montada. Aqui a sensação é oposta. As cores são mais apagadas, as músicas são menos épicas. Mas temos muitas personagens familiares. É um filme reconfortante, para ver em televisão com uma manta confortável. Conhecendo o Wicked teatral ou apenas a história de Dorothy, este filme vê-se com gosto. Tem drama, intriga e reencontros. Tem traições e tem, acima de tudo, a força da amizade. Nós sabemos como a história tem de acabar. Mas tem de haver mais. Tem de haver um confronto. E da mesma forma que Elphaba detinnha todo o poder, Glinda, como bruxa restante, tem de continuar a manter a fachada de ser virtude e poderosa. O díptico Wicked cumpre. Com a ausência de “Defying Gravity” estava receoso que o segundo filme não tivesse conteúdo. Mas mesmo sem artifícios ou lamechice exagerada, tinha uma grande história ainda por contar e entrega tudo neste final. Fala de amizade e de combater o fascismo enquanto nos faz cantar e chorar. Funciona para todas as idades e deixa algumas mensagens mais sérias escondidas para que os adultos se lembrem delas dias depois. O primeiro é principalmente para quem viu a peça. O segundo é principlamente para quem viu o filme. Uma pessoa pode estar em abos os grupos. São diferentes, mas funcionam em conjunto. Ainda que não recomende fazer cinco horas seguidas disto. Filmes Filmes 2025 AnimaisBruxariaMulher forteNuno ReisPolíticasequela