Wonka Nuno Reis, 23 de Dezembro de 202318 de Outubro de 2025 Algumas pessoas conseguem o impossível. Não me refiro a Willy Wonka na confecção de doces, mas a Timothée Chalamet, que conseguiu convencer o mundo a ver ainda mais uma história sobre o chocolateiro depois de dois icónicos filmes. E conseguiu sozinha, não se falou de mais nenhum nome no elenco ou do currículo de realizador. “Chalamet é Wonka” foi o suficiente. O desafio de Paul King não era fácil. O seu passado na saga “Paddington” provava que conseguia fazer filmes fofos com substância, mas aqui estavamos a entrar em território de blockbuster mundial, não de filme inglês com sucesso além-fronteiras. Era exigido o espetáculo visual dos filmes anteriores e conteúdo original. A sugestão trazida para cima da mesa foi mostrar como um sonhador pode enfrentar os titãs da indústria e mudar tudo para melhor, mesmo no pior dos mundos. A história vai mostrar as origens do império Wonka. Não diz como o Willy adulto que conhecemos ficou assim. Vai mostrar como eles sempre foi assim, e o mundo não o consseguiu mudar. Ele chega à capital do chocolate, com umas moedas e a intenção de abrir uma loja onde todos pudessem encontrar chocolates maravilhosos e acessíveis. Só que o mercado é controlado por um cartel de três chocolateiros que não querem concorrência a oferecer chocolates baratos. O intruso tem de ser afastado, custe o que custar. Com a conivência de um polícia guloso (Keegan-Michael Key) e a ajuda de uma gananciosa estalajadeira (Olivia Colman), o plano deles para esmagar o inexperiente negociante funciona. Mas Wonka não desiste de sonhar e, com a ajuda de uma equipa, vai-se reerguer. O filme tem muito de europeu. A tradição do chocolate, os pobres dickensianos, mesmo Colman está próxima do que fez como Senhora Thénardier em “The Miserables”. Tem muita crueldade e mesquinhez. E tem um sonhador capaz de enfrentar tudo isso. A escol,ha de Paul King para liderar o projecto começou a fazer sentido. Timothée Chalamet carrega o filme. Somos desiludidos de tão pouco musical que é esta obra, mas o actor tem carisma suficiente para se poder ignorar. Tem vitalidade para a enorme luta social que se vemos desenrolar em metáforas como a oferta clandestina de esperança na forma de chocolate, perante a inaptidão da polícia em deter um ideal. Pela sua juventude, tem um comportamento natural perante as câmaras no mundo dos CGI e por entre uma palete de cores que tão depressa é cinzenta, como brilhante e saturada. Não é um filme que se recorde com carinho ou se tenha pressa em rever. As histórias secundárias são bastante irrelevantes apesar de alguns dos segmentos mais loucos encaixarem de forma magnífica. E a história de origem de Wonka e dos Woompa Loompas vai contra os trabalhos anteriores (o filme de 2005 foi simplesmente ignorado). Mas no geral é um filme que se pode espreitar sem medo. O pior que faz é abrir o apetite para delícias que não existem. Filmes Filmes 2023 Nuno Reis