Zootopia 2 Nuno Reis, 11 de Dezembro de 202511 de Janeiro de 2026 Um dos grandes sucessos da animação Disney neste século foi Zootopia. A história de uma coelha que quer mudar a polícia e acaba a deter um perigoso criminoso e a converter um raposo vigarista para o lado certo da lei. Demoraram bastante mais do que o habitual para fazer uma sequela. O que acabou por ser uma desvantagem pois as comparações com “The Bad Guys 2” seriam óbvias. E a Disney fica em desvantagem na comparação. O primeiro “Zootopia” era sobre Judy Hopps, uma coelhinha cheia de sonhos que quer entrar na polícia. Os testes físicos são exigentes, os colegas são antipáticos, e a tradição diz que coelhos não são polícias. Mas Judy não quer saber disso. Ela vai provar que merece estar lá. Que o seu sonho é possível. E temos uma música da Shakira que nos diz isso mesmo: I won’t give up, no, I won’t give in ‘Til I reach the end, and then I’ll start again No, I won’t leave, I wanna try everything I wanna try even though I could fail Depois de passada a primeira barreira e do lugar conseguido, tem de provar novamente o seu valor. E aí vai enfrentar o antuto Nick Wilde. Enquanto Judy é jovem, inocente (crédula) e obedece às regras, Wilde tem a escola da vida. E é um criminoso. O simples facto de terem unido forças é inacreditável. Em especial porque os carnívoros em geral são vistos com maus olhos pelos herbívoros. Mas eles juntos vão provar que os preconceitos estão errados e que os criminosos podem ser boas pessoas. De vez em quando. Este segundo Zootopia volta a ter um elenco vocal fenomenal. Conseguiram repetir quase todos os que estiveram no anterior e acrescentar imensos outros como Anika Noni Rose, Danny Trejo, Dwayne Johnson, Josh Gad, Michael J. Fox, Mario Lopez, Cecily Strong, June Squibb, Ed Sheeran, Jean Reno, Patrick Warburton, David Strathairn, Andy Samberg e, a estrela do filme, Ke Huy Quan. No segundo filme Wilde juntou-se às forças policiais para ser o parceiro oficial da agente Hopps. E apesar de as operações policiais não estarem a correr bem, a sua amizade está fortalecida. Até que recebem um ultimato: parem de destruir a cidade. O que calha coincidir com uma pistas sobre cobras. Os répteis estão proibidios na cidade devido a eventos antigos. E vem aí a festa do centenário da cidade. Estarão as cobras a preparar alguma vingança? Só a dupla o pode descobrir, pelo que se vão infiltrar na festa e impedir o golpe. O que os lança num nova aventura “sozinhos contra todos” em território desconhecido. A mudança de ambiente era necessária para criar iguais doses de surpresa e de desconforto. A cor e o movimento sugerem um filme mais infantil – não será para quem viu o primeiro há nove anos e cresceu desde então – mas ironicamente tem piadas escondidas para um público bem mais velho. Talvez de quarenta anos. No entanto, o fundamental é o amadurecimento da relação entre os protagonistas. Como, apesar de diferentes em tudo, se apoiam incondicionalmente e são o mundo um do outro. Vivem e morrem um para o outro. Parceiros. Não tem um impacto do mestre em puxar a lágrima “Toy Story 3”, mas está acima dos concorrentes. Depois temos Ke Huy Quan a fazer de vilão incompreendido. O papel acaba por ser maior do que se imaginava e tem a atitude certa. Depois de o ouvir, ninguém mais podia ter feito a voz. É uma personagem com mais camadas do que mudas de escamas e Quan entrega totalmente. A história é boa, tem potencial para mais uma sequela (a cena nos pós-créditos deixa o teaser), mas em várias pequenas coisas o filme falha. A maior desilusão é a música. Considerarem esta música para Oscar é anedota. E em segundo lugar é o ritmo. É um filme competente e animado, mas não tem vida. Está cheio de momentos mortiços e onde o espectador não vai ter nenhum choque por vários minutos. Comparando com o tal concorrente estreado meses antes, esse também não era perfeito, mas tinha piadas constantes. Não esmorecia. É daqueles filmes que todas as crianças vão querer ver, mas para sossego dos pais não devem insistir para rever todos os dias. Filmes Filmes 2025 AnimaisNuno ReisPolíciasequelaZootopia