The Smallest Show on Earth Nuno Reis, 10 de Julho de 20118 de Novembro de 2025 Quantos de nós crescemos a sonhar ter uma verdadeira sala de cinema para uso próprio? Poucos conseguirão isso e contentam-se com uma tela esticada na sala, mas o ideal era receber um cinema totalmente funcional como prenda ou herança e ir só gerí-lo. Foi quase isso que aconteceu a Matt Spenser que herdou um cinema de um tio que não conheceu e não sabia que tinha. Parte com a sua mulher, Jean, para Sloughborough onde contemplam o majestoso cinema local Grand que o taxista lhes diz ser o único. Deliciados com a herança vão falar com o advogado que esclarece a situação. O cinema que viram é o único em funcionamento, o deles é o outro, chamado Bijou, mas conhecido como “ninho de pulgas”, e que tem três velhotes como únicos funcionários. A única forma de aquilo dar lucro é vendendo o espaço para o Grand, mas os Spenser querem mais dinheiro e por isso vão tornar o Bijou em algo mais valioso. Num cinema de respeito. Para quem não o souber enquadrar no contexto histórico não passará de uma mera comédia numa sala de cinema. Mas passa-se na mesma época em que Toto visitava o Cinema Paradiso. Uma época em que o cinema marcava as pessoas e era o seu único refúgio da realidade. O elenco tem três lendas do humor britânico que são Margaret Rutherford (oscarizada em 1964), Bernard Miles (Cavaleiro) e Peter Sellers. Nenhum tem um grande momento, mas vão mantendo o ritmo do filme com as suas performances loucas. O casal tem Virginia McKenna que viria a tornar-se célebre (ganhou um dos três BAFTA a que foi nomeada) e um Bill Travers que nunca atingiu o seu verdadeiro potencial e tem aqui o seu maior protagonismo. No seu todo oferecem-nos um grupo de personagens dificilmente memoráveis, mas extremamente eficazes. Nem bons nem maus, apenas humanos. Como o título anunciava brincando com a expressão “The Greatest Show on Earth”, o projecto de Basil Dearden não tencionava ser mais do que uma comédia, mas a elevada qualidade dos cenários, os hilariantes filmes série B – exibidos numa sala que supera o realismo do 3D – e a forma como o negócio do cinema é comparado com outros fazem dele uma referência. No entanto é outros daqueles clássicos perdidos no tempo. Apesar de ter Peter Sellers (irreconhecível) não resistiu ao teste do tempo, muito por culpa da fraca qualidade em que circulou. Filmes Filmes 1950's Cinema Sobre CinemaHerançaNuno Reis