Conan the Barbarian (1982) Algumas lendas são tão antigas que não se conhecem a sua origem e as assumimos como história não documentada. Outras, só precisavam de uma nova visão para se tornarem lenda. Robert E. Howard foi popular num nicho enquanto era vivo. A sua morte prematura (com apenas trinta anos) não impediu que lhe dessem o nome de criador do sword and sorcery, principalmente pelo que fez com Conan. Os livros ganharam mais fama a partir dos anos 50 e com ilustrações de Frank Lanzetta chegaram a todo o mundo. E quando o realizador John Milius adaptou as aventuras pulp de Howard a cinema, acidentalmente construiu um mito. No início dos anos 80, Hollywood procurava novos heróis. Os anos 70 tinham sido muito negros (Vietname e Watergate) e eram precisos faróis. Ídolos físicos capazes de encarnar uma nova era. Foi quando tivemos Rocky Balboa, Indiana Jones, Superman, Flash Gordon, Snake Plissen. E Milius, que tinha escrito filmes para o actor Clint Eastwood e “Apocalipse Now”, sabia o que era masculinidade. Com Conan, co-escrito com Oliver Stone, iria fazer o mesmo que Howard e gritar para ser ouvido. O filme começa com uma mensagem que só percebemos ao rever. O pai de Conan forja uma espada. O som do martelo contra o metal numa paisagem deserta. A força, o calor e o frio vão moldar o aço indestrutível. E subitamente todo esse modeo de vida deixa de existir. Um exército arrasa a aldeia, queima as casas e decapita as pessoas. Conan é acorrentado, escravizado, atirado ao moinho onde passará anos a girar a roda e a ganhar músculo. Até que o pequeno rapaz se torna Schwarzenegger. O corpo mais definido que o cinema já viu. Diz-se que ele não sabe interpretar porque para ele existem estes papéis. Não precisa de ter expressões faciais pois é o corpo que passa a mensagem. E como li uma vez de forma muito esclarecedora, este corpo é uma escultura. Quando Conan deixa o moinho, só pensa em vingança. Mas vai ter de aprender mais coisas sobre a vida. Por sorte a sua força é a melhor moeda de troca. Quando conhece Valeria (Sandahl Bergman), adia a sua missão pessoal. É como se tivesse voltado a ser um homem. Mas sem ela, volta a ser o bárbaro. Uma vida sem significado ou objectivos além da vingança. Do outro lado está Thulsa Doom com a presença e a voz de James Earl Jones. Com poder absoluto sobre a vida e a vontade de quem o rodeia, é o inimigo que Conan procurava, mas também o seu inverso. O confronto final não é de espadas, mas de ideais. E tal como no início do filme, e na intimidade com Valeria, o fogo volta a marcar uma enorme presença. São momentos que definem, e o fogo é fundamental para a moldagem. Depois de uma década em que a guerra significava tudo, este filme é o triunfo do indivíduo sobre as tribos e os exércitos. O culto do corpo e da individualidade como a derradeira forma de liberdade. E de solidão. Conan começa em família e feliz, a ver pessoas trabalhar. Termina sozinho, num trono, renegando até o seu deus. O mito do self made man como ratoeira que leva para uma vida incompleta. Passaram mais de quarenta anos e nenhum filme se compara. Nem a sequela, nem o remake souberam o que fazer. É cinema épico e metafórico com várias camadas escondidas. Foi fiel a Howard? Não, foi fiel a Milius e fez uma obra adequada à sua era e à sociedade. E de alguma forma, acabei este texto sem referir Max von Sydow. Uma lenda reduzida a nota de rodapé… Sem outra figura paterna, Conan tem no rei Osric o primeiro exemplo de porte, classe e presença magnética. E também de prioridades e valores. Quando Conan se senta num trono temos um vislumbre desse efeito. Conan the Barbarian (1982) M/12 129 min - Adventure, Fantasy, Action - 16/03/1982 Your rating: Uma horda de guerreiros enfurecidos massacra os pais do jovem Conan e escraviza a criança durante anos no Círculo da Dor. Sendo o único sobrevivente do massacre infantil, Conan é libertado da escravidão e aprende as artes marciais ancestrais. Transformando-se numa máquina de matar, Conan viaja pela natureza selvagem para procurar vingança contra Thulsa Doom, o homem responsável pela morte da sua família. No ermo, Conan junta-se aos ladrões Valeria e Subotai. O grupo encontra o Rei Osric, que deseja que o trio de guerreiros ajude a resgatar a sua filha que se juntou a Doom nas colinas. Director: John Milius Stars: Arnold Schwarzenegger, James Earl Jones, Max von Sydow, Sandahl Bergman, Ben Davidson, Cassandra Gava, Gerry Lopez, Mako, Valérie Quennessen, William Smith, Luis Barboo, Franco Columbu, Leslie Foldvary, Gary Herman, Erik Holmey, Akio Mitamura, Nadiuska, Jorge Sanz, Jack Taylor, Sven-Ole Thorsen, Kiyoshi Yamasaki, Pilar Alcón, Florencio Amarilla, Ron Cobb, Fabián Conde, Dragon Dronet, Donald Gibb, Andrea Guzon, Corrie Jansen, Olvido Lorente, Isabel Luque, Celia Milius, John Milius, Sab Shimono, Diamanda Galás Photos No images were imported for this movie. Storyline Uma horda de guerreiros enfurecidos massacra os pais do jovem Conan e escraviza a criança durante anos no Círculo da Dor. Sendo o único sobrevivente do massacre infantil, Conan é libertado da escravidão e aprende as artes marciais ancestrais. Transformando-se numa máquina de matar, Conan viaja pela natureza selvagem para procurar vingança contra Thulsa Doom, o homem responsável pela morte da sua família. No ermo, Conan junta-se aos ladrões Valeria e Subotai. O grupo encontra o Rei Osric, que deseja que o trio de guerreiros ajude a resgatar a sua filha que se juntou a Doom nas colinas. Collections: John Milius Tagline: Thief. Warrior. Gladiator. King. Genres: Adventure, Fantasy, Action Details Official Website: — Country: United States of America Language: English Release Date: 16/03/1982 Box Office Budget: $20.000.000 Revenue: $73.951.475 Company Credits Production Companies: The De Laurentiis Company, Pressman Film Technical Specs Runtime: 2 h 09 min Filmes Filmes 1980's GuerreirosSword and SorceryNuno ReisConanViagemMagia