F for Fake Tudo isto é falso. O Cinema costuma ser imune a falsificações. Pode não haver certezas quanto a quem fez determinado filme, mas não há engano possível quando à autenticidade de um filme. Atenção que não me refiro a documentários com conteúdo fingido e supostas alunagens. Refiro-me a encontrarem trabalhos desconhecidos ou supostamente perdidos de grandes artistas (como há dias se encontrou um Hitchcock) e virem a constatar que era de alguém que se fazia passar por ele. Quanto a filmes conhecidos como não se aplica o conceito de cópia única, pode ser ilegalmente vendido, mas será sempre um filme autêntico. E para criar um filme desconhecido seria preciso formar uma grande equipa de imitadores capaz de recriar técnicas esquecidas, e muitos sósias tão bons actores como os originais. Sendo a vertente mais rentável do cinema – a ficção – uma mentira por definição, qual o interesse em fazer clones? Nas outras artes a falsificação é quase uma arte própria. A pintura é a principal vítima, mas há mais. E este filme reúne algumas das mais famosas. Por exemplo, a invasão marciana na rádio? Falso! A biografia de Clifford Irving sobre Howard Hughes? Falso! As pinturas de Elmyr? Falsas! E não pára por aqui. O Hughes que acusou Irving seria verdadeiro? E o filme de Welles sobre tudo isto até que ponto é honesto? Segundo o que o próprio diz na abertura é uma hora de pura verdade, mas quem está a contar o tempo? Terá sido apenas uma desculpa para viajar por Vegas, Ibiza e outros destinos solarengos? E sem esquecer a importante parte que é filmar Oja Kodar a desfilar de forma tão sensual e irresistível que todos os locais olham para ela. Não admira que o olhar de Picasso se tivesse perdido nela. Talvez a única verdade nisto tudo sejam os truques de prestidigitação feitos por Welles a um miúdo na abertura… Esse é o encanto do filme. Nunca sabermos se estamos a ver ficção, experimental ou documentário. Não sabermos se é uma mentira acordada por todos ou se alguém entre os entrevistados está a enganar todos os outros, espectadores incluídos. Porque Welles sabe o que se está a passar e faz uma montagem óbvia de quem esconde algo. Mas tão simples na forma de esconder como quem mente sobre estar a mentir. Ou talvez de quem mente sobre mentir sobre mentir. Seria preciso um filme sobre o filme, tal como existe um livro sobre o falso livro. Perceberam algo? Espero que não. Espero que vejam o filme em vez de se deixarem enganar pelas minhas palavras. E deixem que mentirosos profissionais vos enganem sobre o filme acerca das suas vidas. Quem sabe se também o filme ajuda a perceber a verdade nas minhas palavras enganadoras? Oficialmente é um documentário, mas é um documentário de Welles e por isso as regras são alteradas. Por exemplo, é de tal forma directo e delicado a chamar aos húngaros trapaceiros profissionais que até parece um elogio. O género não voltará a ser o mesmo. É também um dos últimos trabalhos de Welles como realizador (acabou a fazer essencialmente vozes) e onde se exibe ao limite, assim como à última mulher da sua vida, Oja Kodar. F for Fake (1973) PG 89 min - Documentary - 01/09/1973 Your rating: Documenta as vidas dos infames falsificadores Elmyr de Hory e Clifford Irving. De Hory, que mais tarde cometeu suicídio para evitar mais tempo de prisão, ganhou fama ao vender obras de arte falsificadas de pintores como Picasso e Matisse. Irving ficou infame por escrever uma autobiografia falsa de Howard Hughes. Welles move-se entre o documentário e a ficção enquanto examina os elementos fundamentais da fraude e as pessoas que a cometem em detrimento de outros. Director: Orson Welles Writers: Orson Welles Stars: Orson Welles, Oja Kodar, Elmyr de Hory, Clifford Irving, Laurence Harvey, Edith Irving, David Walsh, Paul Stewart, Richard Wilson, Joseph Cotten, Howard Hughes, Richard Drewett, Alexander Welles, Gary Graver, Andrés Vicente Gómez, Julio Palinkas, Christian Odasso, Françoise Widhoff, Peter Bogdanovich, William Alland, Mark Forgy, Nina van Pallandt Photos No images were imported for this movie. Storyline Documenta as vidas dos infames falsificadores Elmyr de Hory e Clifford Irving. De Hory, que mais tarde cometeu suicídio para evitar mais tempo de prisão, ganhou fama ao vender obras de arte falsificadas de pintores como Picasso e Matisse. Irving ficou infame por escrever uma autobiografia falsa de Howard Hughes. Welles move-se entre o documentário e a ficção enquanto examina os elementos fundamentais da fraude e as pessoas que a cometem em detrimento de outros. Collections: Orson Welles Tagline: A magician is just an actor playing the part of a magician. Genres: Documentary Details Official Website: — Country: France, Germany, Iran Language: English, French, Spanish Release Date: 01/09/1973 Box Office Company Credits Production Companies: SACI, Les Films de l'Astrophore, Janus Film und Fernsehen Technical Specs Runtime: 1 h 29 min Filmes 1970's Filmes Nuno ReisCinema Sobre CinemaFalsificaçãoPintura