Masters of the Universe (1987) As produções Cannon-Globus tinham ambição de serem as maiores. Por isso anunciavam títulos às dezenas (basta recordar o ano em que anunciaram 25 filmes em Cannes, incluindo “Lifeforce” e “Le Soulier de Satin”) e pegavam em tudo que tivesse o potencial de adaptação. Se agora nos vemos rodeados pelas correntes de adaptação dos comics, das séries e dos young adult, há trinta anos a Cannon-Globus estava em todas as frentes. Adaptavam comics (“Superman IV”), brinquedos (este caso), clássicos (“Hercules“, “Sinbad“) e ainda faziam originais. Muitos dos títulos (a maioria) não são recordados espontaneamente, mas há muitos que ficaram na história do cinema. Há uma preferência em recordar os maus como de culto (a Semana de San Sebastian fê-lo em 2013), mas também os há bons. Falando deste nosso mau filme, por onde começa o problema? O que queriam O argumentista David Odell parecia uma boa escolha. Com uma carreira longa e variada em cinema e vários anos com os Muppets, saberia agradar ao público. Digamos que este foi o último filme que escreveu e não é por ter morrido, continua vivo. Apesar de estarem cheios de intenções, o dinheiro não chegou para tudo (só em 1987 estrearam 6 filmes próprios) e começaram a esticar onde podiam. O realizador estava a estrear-se no cargo, só tinha escrito um filme antes. Não se podia usar efeitos bons, não se podia arranjar duplos… Do ponto de vista narrativo, colocar os buracos em sequência dá-nos algo com metade da duração do filme. Além do detalhe de não serem muito fiéis ao material – em parte porque se basearam mais nos brinquedos do que na série infantil, mas até aí foi muito ao lado – conseguem não apresentar as personagens, assumindo que as duas temporadas animadas seriam suficiente para todos conhecerem Man-At-Arms e sua filha adoptiva Teela. Como o orçamento não permitia extravagâncias em deslocações espaciais para a filmagens, segue-se um desvio na história para semearem o caos na Terra onde é mais barato rodar e por aqui ficam todo o filme como se não tivéssemos já problemas suficientes. Pelo menos a viagem à Terra foi descrita como um mero acaso e portanto na planeada sequela estaríamos a salvo disso. Como não houve sequela e haverá um reboot, não estamos livres de o novo filme repetir a graça. O que vemos Com um elenco que tinha Dolph Lundgren no seu apogeu de Ivan Drago, que tinha Frank Langella pré-sucesso cinematográfico e Courtney Cox pré-qualquer-carreira, não são esses nomes que se destacam. Quem recordar vagamente a série, talvez visualize um tigre verde e algum ocasional combate com espadas num planeta distante. Aqui não há nada disso. Focaram-se nas pistolas laser, trouxeram-nos para a Terra e lançaram o caos. A única cena de interiores em Eternia faz lembrar em muito “Flash Gordon”, e o exagero dos combates no nosso planeta faz esquecer que estamos a falar dos Masters of the Universe até que um tipo loiro em tronco nu com espada às costas nos recorda o filme em questão. Tirando isso, há gags com James Tolkan (o director da escola em “Back to the Future”) um estranhíssimo Gwilbor inspirado nas criaturas de Henson e instrumentos que apenas quem viveu nessa época poderá perceber porque aparecem, pois não fazem sentido nenhum. Quando o filme começa a ter alguma aceitação, entra em modo bélico. Esses combates são tal anedota que voltamos a acreditar estarmos a ver um filme infantil. O único ferimento razoável é o da perna da Julie, todos os outros são tão maus e causados por efeitos tão piores, que nenhuma restrição etária faz sentido. Numa época em que os combates espaciais e os sabres de luz fazem parte do passado, não se justificam chicotes de luz desalinhados com a mão. Quando o terror está num dos seus expoentes, como podem feridas básicas parecer horríveis? E até a edição de som falhou no alinhar o célebre grito de He-Man com os lábios dele. Há um único motivo cinéfilo válido para ver este filme. É a facilidade em perceber a ténue fronteira entre o mau filme e o filme de culto. Esta época está carregada de ambos e a divisão nestas duas listas é quase unânime ainda que alguns títulos estejam orgulhosamente em ambas. Vendo alguns dos maus primeiro para enquadramento, mais facilmente encontrarão os pequenos detalhes que distinguem os filmes que, vistos de longe e sem contexto, nos parecem igualmente dispensáveis. Depois de ver este, quase qualquer coisa é melhor. Agora, de volta à infância. Masters of the Universe (1987) PG 106 min - Action, Fantasy, Science Fiction, Adventure, Thriller - 07/08/1987 Your rating: Quando o malvado Skeletor encontra um poder misterioso chamado Chave Cósmica, ele torna-se quase invencível, tomando o Castelo Grayskull e a cidade circundante. A Feiticeira é agora prisioneira de Skeletor e ele começa a esgotar a sua força vital enquanto espera que a lua de Eternia se alinhe com o Grande Olho do Universo, o que lhe concederá um poder semelhante ao de um deus. No entanto, o corajoso guerreiro He-Man localiza o inventor serralheiro Gwildor, que criou a Chave e tem outra versão dela. Durante uma batalha, uma das Chaves é transportada para a Terra, onde é encontrada pelos adolescentes Julie e Kevin. Agora, tanto as forças de He-Man quanto as de Skeletor chegam à Terra à procura da potente arma. Director: Gary Goddard Stars: Dolph Lundgren, Frank Langella, Meg Foster, Billy Barty, Jon Cypher, Chelsea Field, Courteney Cox, Robert Duncan McNeill, James Tolkan, Christina Pickles, Tony Carroll, Pons Maar, Anthony De Longis, Robert Towers, Barry Livingston, Jessica Nelson, Gwynne Gilford, Walter Scott, Walter Robles, Cindi Eyman, Peter Brooks, Richard Szponder, Mike Carlucci, Nicholas Grabowsky Photos No images were imported for this movie. Storyline Quando o malvado Skeletor encontra um poder misterioso chamado Chave Cósmica, ele torna-se quase invencível, tomando o Castelo Grayskull e a cidade circundante. A Feiticeira é agora prisioneira de Skeletor e ele começa a esgotar a sua força vital enquanto espera que a lua de Eternia se alinhe com o Grande Olho do Universo, o que lhe concederá um poder semelhante ao de um deus. No entanto, o corajoso guerreiro He-Man localiza o inventor serralheiro Gwildor, que criou a Chave e tem outra versão dela. Durante uma batalha, uma das Chaves é transportada para a Terra, onde é encontrada pelos adolescentes Julie e Kevin. Agora, tanto as forças de He-Man quanto as de Skeletor chegam à Terra à procura da potente arma. Collections: Gary Goddard Tagline: A battle fought in the stars...now comes to Earth. Genres: Action, Fantasy, Science Fiction, Adventure, Thriller Details Official Website: — Country: United States of America Language: English Release Date: 07/08/1987 Box Office Budget: $22.000.000 Revenue: $17.336.370 Company Credits Production Companies: Pressman Film, The Cannon Group, Golan-Globus Productions Technical Specs Runtime: 1 h 46 min Filmes Filmes 1980's universos paralelosGuerreirosNuno Reis