The King’s Speech My Fair Lady tornado Our Majesty Bertie A monarquia britânica é tema recorrente para os filmes desse país. Aliás, é um tema tão fácil, acessível e vendável, que não se percebe como ainda não foi esgotado. Com o rei George VI foi feita uma excepção por especial pedido da Rainha-Mãe que não quis a história comercializada durante a sua vida. Mas chegando a hora do filme ser feito, todo o Império se reuniu. Vejamos, os três reis apresentados são desempenhados por um irlandês (Michael Gambon), um australiano (Guy Pearce) e um inglês (Colin Firth). Essa mescla cultural e de sotaques ainda é maior se pensarmos que ao australiano disfarçado de inglês se junta uma inglesa (Eve Best) a fazer de americana (Mrs. Simpson) e uma americana (Jennifer Ehle) a fazer de australiana (Sra. Logue). Num pequeno aparte lembro-me sempre do discurso de Hugh Jackman quando apresentou os Oscares “In The Reader, Kate, English, plays a German, nominated. In Tropic Thunder, Robert Downey Jr who is an American, played an Australian, playing an African-American, nominated.” aqui não foi o caso. Estão nomeados o inglês que faz de inglês, a inglesa que faz de inglesa, e o australiano que faz de australiano. Há ainda outros nove troféus a que aspiram na noite de 28. Se isto não é o apogeu do Império o que será? Albert é o Duque de York. Devido à sua gaguez não gosta do dever oficial de discursar em acontecimentos mediáticos, nem o público gosta de o ouvir, mas por causa da rádio todos são obrigados a fazer o que não gostam. O rei preocupa-se porque o filho herdeiro está desencaminhado e ele precisa de saber que o reino ficará bem entregue. Não há mais ninguém na linha de sucessão em quem confie. Albert tudo tentou, mas nenhum dos melhores doutores de Inglaterra o conseguiram curar. Até que a Duquesa vai visitar Lionel Logue, um terapeuta australiano que ninguém da corte conhecia, mas que lhe foi recomendado pelos profissionais da área. Numa época em que a máquina da propaganda está ao serviço de Hitler o mundo precisa de ouvir outra voz, e o microfone está nas mãos de um gago. Não é fácil fazer um filme quando já todos sabem a história. Há uns anos atrás toda a população inglesa saberia quem era esse rei e os desafios que ele e o país enfrentaram. Hoje em dia isso não é bem assim e por isso David Seldier, também ele um gago que achava merecer ser ouvido, fez a devida homenagem ao seu ídolo e líder de milhões, num argumento robusto, mas delicado. Robusto porque se desenvolve numa época complicada do ponto de vista político, interna e externamente, mas que Seldier explica bem reduzindo ao mínimo: o príncipe herdeiro não corresponde às necessidades do país, o seguinte na sucessão não tem carisma, a Inglaterra precisa de um líder e a Europa precisa de Inglaterra. Depois é delicado porque fala da família real de forma muito familiar – não tanto como Logue – mas a reverência em torno da princesa Elizabeth é exagerada. A fronteira entre realeza e plebe está montada de forma convincente para se perceber a difícil relação do Duque com o terapeuta, sem que a altivez afaste a simpatia dos espectadores. Para isso muito contribui a esposa dedicada que, apesar de estranhar o povo no geral, dá uma oportunidade à relação. Em Inglaterra fazer filmes históricos é banal e no mercado interno têm sempre sucesso. É o trabalho combinado dos intervenientes que faz com que o filme seja mais do que “para inglês ver”. Para admiradores da figura real é o retrato de um homem que conseguiu superar o único obstáculo que o impedia de ser tão grande como era exigido. Para quem prefere apoiar o herói desconhecido temos Logue e como o trabalho de uma pessoa vulgar pode mudar o destino de todos. E ainda a rainha, a grande mulher por trás do grande homem. Se as personagens numa época de necessidade fizeram o que lhes competia, os actores também o fazem aqui e agora. Seja Firth no papel maior de uma carreira nada pequena, Geoffrey Rush a quem foi dado um papel tão shakespeareano que só podia dar nomeação a Oscar, ou mesmo Timothy Spall numa breve reinterpretação de Churchill. Figuras maiores de um filme totalmente dedicado ao serviço de Inglaterra nesta exposição mundial do poder do Império para a arte do filme. Sem dúvida um dos filmes maiores do ano e uma fonte de inspiração para todos The King's Speech (2010) M/12 118 min - Drama, History - 26/11/2010 Your rating: O Discurso do Rei conta a história do homem que se tornou o Rei George VI, pai da Rainha Isabel II. Depois de o seu irmão abdicar, George ('Bertie') assume o trono com relutância. Atormentado por uma terrível gaguez e considerado incapaz de ser rei, Bertie procura a ajuda de um terapeuta da fala pouco ortodoxo chamado Lionel Logue. Através de um conjunto de técnicas inesperadas e como resultado de uma amizade improvável, Bertie consegue encontrar a sua voz e liderar o país com coragem na guerra. Director: Tom Hooper Writers: David Seidler Stars: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Timothy Spall, Michael Gambon, Jennifer Ehle, Derek Jacobi, Freya Wilson, Ramona Marquez, Richard Dixon, Robert Portal, Eve Best, Paul Trussell, Adrian Scarborough, Andrew Havill, Charles Armstrong, Roger Hammond, Calum Gittins, Dominic Applewhite, Ben Wimsett, David Bamber, Jake Hathaway, Patrick Ryecart, Teresa Gallagher, Simon Chandler, Claire Bloom, Orlando Wells, Tim Downie, Dick Ward, John Albasiny, Danny Emes, Anthony Andrews, John Warnaby, Roger Parrott, Dean Ambridge, Julianne Buescher, James Currie, Graham Curry, Tony Earnshaw, Sean Talo Photos No images were imported for this movie. Storyline O Discurso do Rei conta a história do homem que se tornou o Rei George VI, pai da Rainha Isabel II. Depois de o seu irmão abdicar, George ('Bertie') assume o trono com relutância. Atormentado por uma terrível gaguez e considerado incapaz de ser rei, Bertie procura a ajuda de um terapeuta da fala pouco ortodoxo chamado Lionel Logue. Através de um conjunto de técnicas inesperadas e como resultado de uma amizade improvável, Bertie consegue encontrar a sua voz e liderar o país com coragem na guerra. Collections: Tom Hooper Tagline: Find your voice. Genres: Drama, History Details Official Website: http://www.kingsspeech.com/ Country: United Kingdom, United States of America Language: English Release Date: 26/11/2010 Box Office Budget: $15.000.000 Revenue: $414.211.549 Company Credits Production Companies: The Weinstein Company, UK Film Council, Momentum Pictures, Aegis Film Fund, Molinare Investment, FilmNation Entertainment, See-Saw Films, Bedlam Productions Technical Specs Runtime: 1 h 58 min Filmes 2010 Filmes Oscares 2011Segunda Guerra MundialRealezaHistória VerídicaNuno Reis