The Titan A existência é algo instável que pode ser visto como um equilíbrio precário entre forças em conflito. Um planeta tem moléculas em estado líquido, sólido e gasoso que podem criar ou destruir vida. Alguns outros astros como estrelas, satélites naturais e asteroides podem ajudar ou dificultar a criação de vida. Por vezes destruí-la completamente. O próprio planeta brinca à seleção natural com o clima, as erupções, terramotos e demais dificuldades. Uma espécie que aguente determinado número de níveis nesse jogo, acha-se especial. Esquece que está num permanente desafio. Depois chega a um ponto onde não sabe como escapar e lixa-se. O jogo recomeçará com uma nova espécie ou num novo planeta. No caso dos dinossauros o planeta ganhou. Usou uma arma secreta que ninguém esperava e arrasou o jogador líder, abrindo espaço para novos concorrentes se evidenciarem. Durante anos assim foi, até que chegou a Humanidade e fez batota. Criou abrigos melhores. Produz o seu próprio alimento. Arranjou formas de ser alertada para terramotos. Espalhou-se tanto pela superfície que um vulcão não os consegue derrotar. Até acredita ter formas de parar meteoritos. Pela perspectiva do planeta, a humanidade não é uma espécie melhor ou mais merecedora que as anteriores. Tal como um vírus, pensa apenas em si e na sua multiplicação, não considerando o mal que faz ao organismo hospedeiro. Até que seja demasiado tarde e tenha de saltar para outro hospedeiro. A humanidade é uma praga. Uma praga criada para destruir o que a rodeia até que todo o planeta seja inabitável. E depois deste, os outros planetas. O sonho de partir à conquista do espaço é muito antigo. Tal como o sonho de saber o que estava para lá da montanha e para lá do oceano, assim que se soube que existiam outros planetas nas estrelas, nasceu a vontade de os ver, os visitar, os colonizar. Algo típico de um vírus. Mas se qualquer um pode caminhar para lá da montanha e com instrumentos de navegação e barcos se chega ao continente vizinho, chegar às estrelas não é assim tão fácil. Não basta um homem sábio, um hábil construtor, toneladas de madeira e mantimentos e alguns homens com o sonho de uma vida melhor. São precisos milhares de cientistas, milhares de construtores, materiais vindos dos vários continentes, e um conjunto de heróis dispostos a partir numa viagem sem regresso para um local onde qualquer erro os pode matar. Com o tempo aquela ideia romântica de colonizar os vizinhos Marte e Vénus foi perdendo força. Começamos a racionalizar e agora procuramos luas onde seja mais fácil criar vida. Gravidade, atmosfera, temperatura… não é fácil recriar as condições que fomos geneticamente aperfeiçoados para adorar. Em “The Titan” o ano é 2048 e já passamos a fase de ser esquisitos com o planeta que colonizamos. A lua Titã é o lugar mais aceitável, só que não estamos preparados para lá viver. A atmosfera é mortífera, a escuridão assustadora, o frio permanente. A Humanidade tem de evoluir ou morrer. O professor Collingwood é um Dr. Moreau dos tempos modernos. Ele quer reunir os melhores espécimes da humanidade e alterá-los para que possam ter uma hipótese de sobrevivência em Titã. O Tenente Rick Janssen é um desses escolhidos. Ele e a família mudam-se para uma base da NATO onde se testa a última oportunidade da Humanidade. Mas seremos ainda humanos? Rick é o típico militar. Segue ordens e está a trabalhar para o bem comum. A mulher Abi, é médica e quer saber mais do que aquilo que lhe podem dizer. Têm um filho por quem fazem isso e para quem o pai é um herói. Pode parecer que o protagonista seria Sam Worthington. A estrela de “Avatar” sabe o que é ser o escolhido para uma missão de colonização espacial. Todavia, neste filme tem um papel menor. A perspectiva que acompanhamos é a de Abi (Taylor Schilling), a humana terrestre com olhar científico que vê milénios de evolução a serem acelerados à sua frente. Com tantos filmes sobre mutantes no nosso quotidiano, é curioso ter uma visão pura do que isso poderia significar. E dos sacrifícios que destruir este planeta acarreta. Com uma história simples e linear, “The Titan” recria alguns dos dramas da vida no espaço, em especial o isolamento. Mesmo que isso seja um trabalho com horário e local específico e depois voltem para casa, aquele grupo de soldados tem algo que é só seu e que não podem deixar para trás quando saem das instalações militares. Podem ainda estar na Terra, mas os seus corpos e mentes já estão a caminho de Titã numa lenta transformação física e mental. O filme vai desenrolando a história e mantendo a intriga sem artimanhas. Tudo é o que parece e todos são o que dizem ser. A diferença é o que estão dispostos a fazer nos momentos críticos. Em suma, é um filme sobre a humanidade e as linhas invisíveis que atravessamos como espécie e como indivíduos nos momentos decisivos. Tecnicamente é um filme competente e tem um argumento equilibrado, apenas com algumas falhas no terceiro acto (ou maltratado na edição). Foi a primeira longa do realizador Lennart Ruff e também o argumentista Max Hurwitz está mais confortável no formato televisivo, o que se percebe pela estrutura. Faltou um pouco de química entre os protagonistas e em especial entre os militares, mas se pensarmos que o objectivo do filme não era entreter e sim alertar para o ponto de viragem que enfrentamos, está cumprido. Consegue prender-nos à história e ser minimamente convincente do ponto de vista científico. É suficientemente inspirador para não recearmos o momento em que os nossos filhos tenham de deixar a Terra e partir para um outro mundo. A espécie prevalecerá por muito que o mundo nos tente eliminar. A questão é se ainda seremos humanos por dentro. The Titan (2018) R 97 min - Science Fiction, Thriller - 30/03/2018 Your rating: Numa Terra sombria do futuro, um soldado submete-se a uma transformação genética radical para salvar a humanidade. Mas a sua esposa teme que ele se esteja a tornar mais criatura do que homem. Director: Lennart Ruff Writers: Arash Amel Stars: Sam Worthington, Taylor Schilling, Tom Wilkinson, Agyness Deyn, Nathalie Emmanuel, Corey Johnson, Aleksandar Jovanović, Steven Cree, Diego Boneta, Noah Jupe, Naomi Battrick, Aaron Heffernan, Alex Lanipekun, Nathalie Poza, Francesc Garrido, Kyle Soller, Ben Aldridge, Gustavo Salmerón, Noemi Parpaiola, Megan Rowland, Andrés González Cano, Samuel González Cano Photos No images were imported for this movie. Storyline Numa Terra sombria do futuro, um soldado submete-se a uma transformação genética radical para salvar a humanidade. Mas a sua esposa teme que ele se esteja a tornar mais criatura do que homem. Collections: Lennart Ruff Tagline: Evolve or die Genres: Science Fiction, Thriller Details Official Website: https://www.netflix.com/title/80148210 Country: Spain, United Kingdom, United States of America Language: English Release Date: 30/03/2018 Box Office Revenue: $2.635.408 Company Credits Production Companies: 42, The Amel Company, Motion Picture Capital, Nostromo Pictures, Voltage Pictures Technical Specs Runtime: 1 h 37 min Filmes 2018 Filmes genéticaOperação militarNuno ReisAlienígenaIsolamento