“Celda 211” por Nuno Reis Nuno Reis, 15 de Outubro de 2010 Quando se pensa no cinema espanhol de 2009 há um título que surge acima de todos. “Celda 211” começou o seu percurso triunfante em Veneza, seguindo-se depois Toronto, Sitges, Ourense e muitos outros festivais até fechar o ciclo já este ano em San Sebastian onde foi apresentado na secção das pérolas. Pelo meio passou pelos Goya onde conquistou o prémio de melhor filme, realizador, actor principal, actor revelação, actriz secundária, argumento adaptado, montagem e som. Não se podia pedir mais atendendo a que competia contra “Agora” de Amenabar (5 Goyas). Juan Oliver vai começar a trabalhar como guarda prisional e, para causar boa impressão, apresenta-se na véspera para visitar as instalações e conhecer as suas novas funções. Um pedaço de tecto que cai deixa-o a sangrar e os futuros colegas pousam-no numa cama vaga a repousar, mas subitamente Malamadre, o líder dos prisioneiros, desencadeia um motim que obriga os guardas a fugir. Juan acorda no meio de uma guerra e convence os prisioneiros que é um novo condenado. Quando se desencadeiam as operações de negociação Juan funciona como infiltrado, mas o rumo dos acontecimentos vai fugir ao controlo de todos. Inicialmente o filme parece seguir o rumo de tantos outros do género. Herói acidental que estava no sítio errado à hora errada salva todos. Mas este Juan é mais complexo. Primeiro a interpretação do novato Alberto Ammann surpreende. Começa por parecer uma pessoa tímida e correcta, mas para manter o disfarce revela-se um implacável criminoso. Magnífico trabalho do expressivo actor. O seu trabalho é complementado pelo sempre incrível Luis Tosar como Malamadre, que tem pouco tempo de ecrã, mas é explosivo e arrebatador. Por vezes até é possível sentir alguma simpatia pelos prisioneiros. Os problemas deles são corriqueiros, as suas exigências normais, os seus métodos exagerados, e é esse detalhe que lhes tira a razão. O elemento humano está bem filmado, seja pelas manifestações no exterior da prisão, pelas consequências deste motim noutras prisões, ou pelo factor ETA no modo de vida espanhol… Tudo tem consequências e no filme reconhecem várias facetas do problema, não se inibindo de as filmar como parte de uma só história. A guerra fria civil afecta as micro-sociedades (prisão) e isso afecta a vida dos seus habitantes. Os acontecimentos transformam uma pessoa, por vezes muito depressa. Tudo no filme demonstra a grande produção que foi (seis milhões de euros). Percebe-se que a Academia Espanhola se tenha rendido a este trabalho pela sensibilidade do tema, pela qualidade da produção, pelo desempenho dos actores e por ser uma grande adaptação de uma aclamada obra literária. Título Original: “Celda 211” (113, 2009)Realização: Daniel MonzónArgumento: Jorge Guerricaechevarría e Daniel Monzón (baseados no livro de Francisco Pérez Gandul)Intérpretes: Luis Tosar, Alberto Ammann, Antonio Resines, Marta Etura, Manolo SoloMúsica: Roque BañosFotografia: Carles GusiGénero: Acção, DramaDuração: Espanha, França min.Sítio Oficial: http://www.celda211.com/ Filmes 2010 Nuno Reis Ourense 2009 Sitges 2009
Tendo em conta os Goya que ganhou até estou muito interessado em o ir ver. Se é assim tão bom como é que o ano passado a Espanha não o elegeu como o seu representante ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro? Será porque a França enviou o Un Prophete, um filme que me parece semelhante? Responder
Não mandou porque não tinha estreado a tempo.Este ano era um dos três finalistas à nomeação como digo aqui http://antestreia.blogspot.com/2010/10/um-actor-em-todas.html Em Portugal é suposto estrear este mês, por isso é que publiquei. Responder
Tinha a mesma ideia do que o JT…que não tinha sido enviado devido às semelhanças com Un Prophete!! Mas parece que não… De qualquer forma ainda não vi este mas a história apela-me bastante 🙂 Responder