Entrevista ao realizador Lucca Vieira (The Midway Point) Nuno Reis, 22 de Maio de 202619 de Maio de 2026 A espera de dois anos até o filme chegar ao público foi longa, e o realizador não esconde as dificuldades de mover um projeto independente num mercado americano cada vez mais competitivo. Ainda assim, destaca o papel da distribuidora Level 33, que, segundo ele, compreendeu o filme sem tentar alterar a sua identidade. Embora The Midway Point represente a sua estreia em longa-metragem, o cinema de Vieira parece já revelar uma linha temática consistente. As suas curtas e projetos seguintes continuam a explorar dramas psicológicos, personagens alienadas e estados de fragilidade emocional. “Toda a história, todo o roteiro, todo o filme que eu faço, mais ou menos se trata da mesma história”, resume. O próximo passo chama-se Shift, um filme de terror corporal que começou por existir como curta-metragem de prova de conceito e que deverá avançar para longa. Vieira vê o terror e o drama como territórios próximos, ambos capazes de explorar medo, isolamento e conflito interior. “Eu amo fazer terror”, afirma, deixando claro que esta mudança de género não representa uma ruptura, mas antes uma continuação natural das mesmas inquietações criativas. Num momento em que ainda procura um lugar no cinema americano, Lucca Vieira revela já uma voz autoral surpreendentemente definida. The Midway Point não é apenas uma estreia promissora: é a afirmação de um cineasta consciente das suas obsessões temáticas, do seu olhar geracional e da linguagem que quer construir. Entre o drama psicológico, a alienação juvenil e o desconforto emocional, o cinema de Vieira parece mover-se sempre na mesma direção: entrar na mente das personagens para que o público possa explorar o seu mundo. Pages: 1 2 3 4 Entrevistas adolescentes